Política

Um enorme prejuízo para a Lava Jato

Para especialistas ouvidos pela Folha, a morte de Teori Zavascki gera incertezas sobre o futuro da operação

Sérgio Moro Sérgio Moro  - Foto: Miguel schinchariol/afp

Em meio às incertezas quanto o futuro da Lava Jato, no mundo jurídico e das ciências políticas, o entendimento que se tem é que a morte do ministro Teori Zavascki causou um enorme prejuízo para a Operação. De acordo com o cientista político pela UFF, Antônio Lucena, a tendência é que as investigações sejam interrompidas por dias ou até meses, até que os processos de Teori caiam no colo de outro ministro.

"A Lava Jato como está pode ser desfigurada e sofrer interrupções, com o processo chegando ao seu fim", alerta Lucena. Todavia, na sua visão, "é preciso observar quem será o novo ministro", disse.

Conforme Antônio Lucena, se a relatoria da Lava Jato for para o novo ministro, gerará uma série de considerações de cunho ético e moral. A avaliação que se tem é que se o presidente indicar uma pessoa para abafar a Operação, sofrerá pressão da opinião pública, que quer o andamento do processo. Do contrário, se indicar uma pessoa mais dura e direcionada ao andamento da Operação, gerará problema com a base aliada. "É uma questão complicada", sintetiza.

Lucena ressalta que a morosidade do processo é interessante para a classe política, alvo do ex-ministro. Professor de direito constitucional da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Marcelo Labanca põe em evidência o andamento da homologação das delações premiadas que Teori iria realizar em fevereiro. O magistrado era o responsável pela homologação de 77 delações que deveriam sair já em fevereiro, o que impulsionaria o andamento dos julgamentos.

E foi justamente com interesse de adiantar as homologações que o magistrado cancelou suas férias para se debruçar nos processos. Mesmo distante, Zavascki se comunicava com a equipe emitindo ordens judiciais em processos sob sua responsabilidade. "E agora o que será homologado?", lança o questionamento Labanca.

Para o advogado constitucionalista Emilio Duarte, a operação terá um retardo dado o próprio rito de substituição e o direcionamento que o futuro delator vier a tomar. "Ele era um juiz que já tinha conhecimento do processo. O outro que vier substituir não vai ficar vinculado às ações dele (Teori)", observa.

Moro
Responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância, o juiz Sergio Moro se disse perplexo com a morte do ministro. "Estou perplexo. Minhas condolências à família. O Ministro Teori Zavascki foi um grande magistrado e um herói brasileiro, exemplo para todos os juízes, promotores e advogados deste país.

Sem ele, não teria havido Operação Lava Jato. Espero que seu legado de serenidade, seriedade e firmeza na aplicação da lei, independentemente dos interesses envolvidos, ainda que poderosos, não seja esquecido", disse o magistrado.

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