Uma guerra contra os efeitos da Lava Jato

Após pressão, a proposta que visa anistiar o caixa dois foi adiada mais uma vez, na Câmara

Paulo Câmara (PSB) em encontro da CDLPaulo Câmara (PSB) em encontro da CDL - Foto: Hélia Scheppa/PSB

A polêmica em torno da aprovação das medidas anticorrupção, na Câmara Federal, expõe a dificuldade de superação da crise política instalada no País. Na quinta-feira (24), a tentativa de alterar a legislação para anistiar explicitamente o caixa dois eleitoral foi adiada para a próxima semana, diante das turbulências provocadas durante a discussão da matéria no plenário. Tema de alto interesse dos políticos alvos de investigações, o “perdão” ao caixa dois é visto como uma estratégia para neutralizar os efeitos da Lava Jato. 

Preocupado com as consequências da manobra, o juiz Sergio Moro, responsável pela Operação em Curitiba, chegou a divulgar uma nota contra a proposta.
Para Moro, a anistia de condutas de corrupção e lavagem impactaria não só as investigações e os processos já julgados da Lava Jato, mas a “integridade e credibilidade, interna e externa, do Estado de direito da democracia brasileira”. Ele diz ainda que a anistia pode trazer “consequências imprevisíveis para o futuro do País” e insta os políticos a não aprovarem a medida.
A anistia seria inserida no pacote anticorrupção apresentado pelo Ministério Público, em março, e aprovado em comissão especial na última quarta-feira. Mas, com a falta de consenso e a polêmica, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), anunciou nova tentativa de votação para a próxima terça-feira. Na sessão de ontem, o deputado fez um enfático discurso, negando haver tentativa de anistia.

Anonimato
Após o adiamento da votação, na quinta (25), líderes partidários avaliaram ainda que ficou insustentável a tentativa de aprovar a anistia de forma simbólica, sem registro nominal dos votos. Com o apoio dos principais partidos, o plenário havia rejeitado requerimento do PSOL para que todas as votações fossem nominais. A manobra para impedir a identificação dos políticos favoráveis à anistia foi articulada a portas fechadas e debatida com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. 

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