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Único a votar contra o Dia da Democracia, Jair Renan ironiza coincidência com interrogatório do pai

Três vereadores do PL de Balneário Camboriú votaram a favor da proposta que homenageia ex-prefeito do município morto pela ditadura militar

Jair Renan Bolsonaro votou contra reconhecimento de morte de ex-prefeito de Balneário Camboriú pela ditadura Jair Renan Bolsonaro votou contra reconhecimento de morte de ex-prefeito de Balneário Camboriú pela ditadura  - Foto: Reprodução

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan (PL-SC) foi o único vereador de Balneário Camboriú a votar contra um projeto de lei, aprovado nesta terça-feira, que institui o Dia da Democracia no município.

A data escolhida foi o dia 3 de março e homenageia o ex-prefeito da cidade Higino João Pio, morto pela ditadura militar em 1969.

A votação aconteceu na mesma data em que o ex-presidente Bolsonaro depôs ao Supremo Tribunal Federal no julgamento da trama golpista. Três correligionários de Jair Renan, Victor Forte, Arlindo Cruz e Guilherme Cardoso votaram a favor do Dia da Democracia. Outros dois vereadores do PL não votaram.

— Quase dois meses depois da primeira discussão, volta à pauta. Pergunta: coincidência ou perseguição? Estão achando que vão me atingir? Não vão, já entendi a jogada. E a verdade está no nosso lado e não da Comissão da Verdade — disse Jair Renan, que acrescentou ser a favor da democracia e não ter "nada contra" Higino João Pio.

Em março, Jair Renan já havia sido o único vereador a votar contra a atualização de documentos da Câmara de Vereadores para reconhecer a morte de Pio como tendo sido causada pela ditadura.

— Quase dois meses depois da primeira discussão, volta à pauta. Pergunta: coincidência ou perseguição? Estão achando que vão me atingir? Não vão, já entendi a jogada. E a verdade está no nosso lado e não da Comissão da Verdade, que foi criada por Dilma Rousseff.

Naquele mês, familiares de Higino Pio receberam a versão atualizada da certidão de óbito do ex-prefeito. Na qual passou a constar que ele morreu de forma violenta pelo "estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática".

A alteração das certidões de óbito foi resultado de uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça.

Pio foi o primeiro prefeito eleito de Balneário Camboriú. Em 1969, ele foi preso e levado à Escola de Aprendizes de Marinheiro, em Florianópolis, sob acusações nunca comprovadas de corrupção na prefeitura.

Segundo a Comissão da Verdade, a prisão, na verdade, foi motivada pela relação de amizade que ele mantinha com o ex-presidente João Goulart, deposto em 1964. Higino foi encontrado morto em 3 de março daquele ano dentro de sua cela.

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