Varreduras revelam crise entre poderes

Como uma ação da Polícia Federal no Senado expôs a tensão entre o Legislativo e o Governo Federal

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), durante passagem pelo Recife nesta sexta (30)Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), durante passagem pelo Recife nesta sexta (30) - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

 

Era para ser uma sexta-feira relativamente tranquila no Congresso Nacional, com a habitual ausência dos parlamentares, que retornam às suas bases para passar o final de semana. No entanto, nesta sexta se transformou em um verdadeiro tormento para os parlamentares que permaneceram em Brasília. A chegada de agentes da Polícia Federal no Senado, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, apenas dois dias após a prisão do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), gerou tensão e expectativa. Mas os investigadores não estavam à procura de políticos.

O alvo desta vez foram os agentes da Polícia Legislativa, suspeitos de tentarem atrapalhar o andamento da Lava Jato, ao fazerem varreduras eletrônicas para detectar grampos telefônicos nas residências de senadores e ex-senadores. A ação terminou por expor a crise entre o Governo Federal e o Congresso, que divergiram sobre a legalidade da operação.
A Operação Métis, deflagrada nesta sexta, efetuou a prisão de quatro policiais do Legislativo. Um deles, Pedro Ricardo Carvalho, diretor da polícia do Senado, é homem de confiança do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também foram apreendidas 10 malas de documentos e aparelhos de escuta, que teriam sido usados para detectar grampos nas residências dos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Fernando Collor (PTC-AL), além dos ex-senadores Edison Lobão e José Sarney. Eles solicitaram as varreduras, que foram consideradas ilegais pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e a Justiça Federal, por terem sido feitas fora das dependências do Senado.
Para o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, os agentes tinham o objetivo de embaraçar as investigações. Da mesma forma, o juiz federal que ordenou as prisões, Vallisney de Souza Oliveira, afirmou que os “fatos são gravíssimos” e vinham ocorrendo desde 2014, quando foi deflagrada a Lava Jato. Porém, Renan Calheiros reagiu à ação e defendeu a “independência dos poderes”.

 

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