Seg, 16 de Março

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Vice-presidente do PT critica ala de desfile que homenageou Lula

Washington Quaquá defende que quem quer governar o país 'precisa entender o Brasil real' ao repercutir representação de famílias em conserva pela Acadêmicos de Niterói

O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente do PT, Washington Quaquá O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente do PT, Washington Quaquá  - Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, criticou a ala "Neoconservadores em conserva” do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói — cujo enredo homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A agremiação mostrou famílias dentro de latas, algumas com adereço com referência religiosa. Para Quaquá, quem quer governar o país "precisa entender o Brasil real" e a sigla "não pode deixar de dialogar com quem é conservador nos costumes".

"O PT nasceu como um partido popular, e partido popular não escolhe pedaço do povo. Uma parte significativa do nosso povo pensa assim e merece respeito", disse Quaquá nas redes sociais.

A representação da família conservadora na ala provocou reações na sociedade. Na semana passada, a oposição comandou uma ofensiva com críticas a Lula e a escola de samba. A frente evangélica e a frente católica também divulgaram notas criticando o teor do desfile e cobrando responsabilização dos responsáveis.

Dados da pesquisa Ideia, divulgada quatro dias após a passagem da escola pela Avenida, mostram que seis a cada dez evangélicos (61,1%) viram ofensa à liberdade religiosa ou representação preconceituosa na ala do desfile.

Outros 11% entendem como uma crítica artística legítima a ala, que trazia famílias dentro de latas, algumas com referência religiosa. Já 8,7% veem como uma sátira aceitável, e 19,2% não souberam opinar.

Impacto eleitoral
A homenagem a Lula gerou reação política com potencial impacto no segmento, que é um dos mais refratários ao petista. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada neste mês, o índice de desaprovação de Lula entre os evangélicos é de 61%, ante 34% que aprovam a gestão. No geral, a taxa desfavorável ao governo é de 49% a 45%.

Lideranças petistas afirmam que o presidente terá de fazer gestos ao segmento evangélico, por exemplo, para se recuperar do desgaste provocado junto a essa parcela do eleitorado por causa do desfile.

— Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa — disse durante entrevista a jornalistas em Nova Délhi, na Índia.

Dias antes, o Palácio do Planalto decidiu reagir para conter a crise. O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que há impulsionamentos de postagens com críticas ao governo e ao presidente. Em razão disso, a direção do PT avalia ingressar com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O ministro da Secom entende que, em razão dos impulsionamentos, foi “criado um debate falso” em relação ao tema.

— É uma coisa impulsionada feita intencionalmente. É oportunismo eleitoral — disse Sidônio.

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