Voto de Coutinho deflagra discórdia

A articulação para esta indicação foi feita pelo socialista pernambucano com a ala da bancada ligada ao Governo Temer

João Fernando Coutinho (PSB)João Fernando Coutinho (PSB) - Foto: FELIPE RIBEIRO//Arquivo Folha

 

O voto do deputado federal João Fernando Coutinho (PSB) na eleição para a liderança do partido na Câmara segue gerando discórdia dentro do PSB estadual. Na última quarta-feira (1), o gestor admitiu, pela primeira vez, em reunião com a bancada da sigla na Câmara Federal, que votou na deputada federal Tereza Cristina (PSB-MT), deixando de lado a posição do resto dos colegas do Estado, que optaram pelo nome de Tadeu Alencar (PSB). O nome de Coutinho foi oficializado entre as indicações partidárias para o cargo de terceiro secretário da Mesa Diretora da Casa baixa. A articulação para esta indicação foi feita pelo socialista pernambucano com a ala da bancada ligada ao Governo Temer e que vem abrindo uma dissidência em relação ao PSB de Pernambuco, o que reforçou o mal-estar interno.

A leitura é que o gesto de Coutinho foi "movido por pretensões pessoais", deixando de lado o coletivo e enfraquecendo o PSB de Pernambuco. Uma das preocupações é com o Congresso do PSB, em outubro, quando será escolhida a nova direção do partido. A ala mais ligada ao Governo Temer, a qual João Fernando teria se aliado, é hoje a principal ameaça da hegemonia do PSB do Estado.

"Sempre fomos uma bancada unida e esse gesto do deputado foi inédito. A eleição compromete o papel de Pernambuco na composição de forças do partido. Ele se aliou a um grupo conservador, que vem tentando tirar a maioria do PSB estadual", criticou uma fonte do Palácio das Princesas, em reserva. Outra fonte do Legislativo estadual afirmou que "o deputado sabe procurar o governador na hora que precisa, mas só o apoia de volta quando é conveniente". Ou­tra fonte do Congresso avaliou o gesto do colega como "individualista".

Em seu discurso na reunião da bancada, antes da votação para a escolha do representante da sigla na Mesa Diretora, ontem, João Fernando fez questão de colocar panos quentes nas especulações sobre o mal-estar interno, provocado pelo seu voto na escolha do líder do PSB.

O parlamentar teria se queixado que vem sofrendo com o estigma de "traidor de Pernambuco" e de ter criado uma divisão no Estado.

Reunião
O encontro dos líderes na Câmara definiu que a chapa oficial da Mesa representada pela reeleição de Rodrigo Maia (DEM) será composta pelo PMDB na primeira-vice presidência, PR na primeira secretaria, PP na segunda-secretaria, PSB na terceira secretaria, PSD na quarta secretaria e PT, PRB, PDT e Solidariedade na suplência.

 

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