Voto não declarado e nome cotado para Mesa

Resultado também é visto como "interferência externa contra postura de independência" de um grupo em relação ao Planalto

Assim que terminou a eleição para liderança do PSB na Câmara Federal, ontem, um detalhe ganhava eco, nos bastidores, na voz de vários parlamentares, inclusive de membros de outros partidos: o fato de o deputado João Fernando Coutinho não ter declarado seu voto. A especulação de que ele teria votado em Teresa Cristina (MS) apontava para a falta de unidade na bancada pernambucana, que não vem de hoje. Remontava-se, nas coxias, à escolha de Fernando Filho para liderança do PSB, também marcada por imbróglio, que já denotava, ali, um racha interno. Naquele episódio, não houve votação como ontem, mas passou-se uma lista. A ferida, internamente, parece não ter cicatrizado. A falta de pacificação naquele e em outros momentos andou respingando no resultado de ontem, quando o pernambucano Tadeu Alencar acabou contabilizando apenas 14 votos contra os 22 de Teresa Cristina, do Mato Grosso do Sul. Por outro lado, é, praticamente, um consenso, entre os deputados, que Tadeu exerceu bem seu papel na liderança, mas que velhas celeumas na relação da bancada pernambucana teriam sido debitadas na conta dele por meio de um movimento em prol de Teresa. Por outro lado, o nome de João Fernando Coutinho vem sendo cotado, no grupo que dá sustentação a Teresa Cristina, para ocupar uma vaga na Mesa Diretora. E a possibilidade de se destinar dois espaços importantes a Pernambuco era considerada, por alguns, como um pouco demais.

Pano de fundo
Os momentos conturbados envolvendo a ala pernambucana do PSB na Câmara Federal foram resgatados, ontem, por parlamentares nas coxias. "Tentaram derrubar Fernandinho (Fernando Filho) da liderança e houve reação porque Miguel Coelho fechou com Diogo Moraes para 1º secretário na Assembleia", dizia uma fonte.

2º round > No restrospecto, recordava-se ainda que Fernando Filho virou ministro, a despeito de boa parte da bancada pernambucana ser contra participação no governo Temer.

Fica lá > Secretário de Turismo do Estado, Felipe Carreras pediu exoneração, ao governador Paulo Câmara, na última sexta. Retornou à Câmara para votar em Tadeu Alencar e permanece, na Capital Federal, para eleição da presidência da Câmara.

Sucursal 1 > O presidente Michel Temer já deixou Pernambuco, ontem, com agendas certas para retornar. Ao governador Paulo Câmara, avisou que, em março, volta para inauguração do Eixo Leste da Transposição do São Francisco.

Sucursal 2 > Entre abril e maio, Temer fará a entrega do primeiro Cartão Reforma do Brasil em Caruaru. Grifou a agenda no discurso. O programa, que visa a aquecer o comércio de materiais de construção e gerar empregos, é do Ministério das Cidades, comandado por Bruno Araújo.

Sedimentando > A regra é receber o cartão por sorteio, mas, em Pernambuco, ele será entregue pessoalmente por Temer. A equipe da prefeita Raquel Lyra já está articulando a operação do programa com o Ministério das Cidades.

Foco > O lançamento, na Capital do Agreste, tem o objetivo de deixar claro que um programa social de tal porte está sendo lançado no Nordeste, além de prestigiar uma mulher na gestão.

Não se metem > Ministros de Temer, que já retornaram à Câmara Federal em outras ocasiões, ficam onde estão, agora. Não participam da eleição da presidência da Casa por uma razão: há mais de um deputado da base concorrendo e a regra, no Planalto, é que os auxiliares não se envolvam nesse processo, uma vez que não se trata de projeto de governo.

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