Alimentação adequada pode fazer a diferença dentro e fora dos gramados durante a Copa do Mundo
Especialista explica o papel da nutrição na performance dos atletas e alerta para os excessos alimentares comuns entre os torcedores
A Copa do Mundo movimenta milhões de pessoas ao redor do planeta e desperta paixões dentro e fora dos estádios. Enquanto os jogadores seguem um rigoroso planejamento nutricional para alcançar o máximo desempenho em campo durante a Copa do Mundo, muitos torcedores aproveitam os jogos acompanhados de petiscos, frituras e bebidas alcoólicas. Especialistas alertam que a alimentação adequada pode influenciar diretamente tanto a performance esportiva quanto a saúde da população durante a Copa do Mundo.
A nutrição é considerada uma estratégia fundamental para atletas de alto rendimento na Copa do Mundo. Por isso, entidades esportivas internacionais recomendam o conceito de “food first”, que prioriza uma alimentação baseada em comida de verdade, equilibrando carboidratos, proteínas, gorduras saudáveis, vitaminas, minerais e hidratação, essencial para o desempenho durante a Copa do Mundo.
Nesta quarta-feira (10), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou, no Canal Saúde, com a nutricionista esportiva e professora da UniFG, Natália Meira, sobre como a alimentação impacta os jogadores e torcedores durante a Copa do Mundo.
Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:
Natália Meira destacou que, diferentemente do que muitos imaginam, a base da alimentação dos atletas de alto rendimento está na chamada “comida de verdade”, estratégia que também ajuda a reduzir riscos relacionados ao uso de suplementos contaminados, especialmente em competições como a Copa do Mundo.
“Pensar em receber aquele nutriente, aquele valor energético a partir de comida e não de suplementos. Muitas vezes suplementos podem estar contaminados e colocar aquele jogador em uma situação de doping. A comida já retira esse risco de contaminação cruzada. Então, comida de verdade, alimentos in natura, o nosso cuscuz, o nosso feijão, fundamentais para quem joga a Copa do Mundo.”

A especialista explicou ainda que a nutrição no futebol moderno é cada vez mais individualizada, mesmo dentro da Copa do Mundo. Segundo ela, o planejamento alimentar varia conforme a posição exercida pelo atleta em campo e suas características biológicas.
“No futebol moderno existem características muito particulares de cada posição, inclusive durante a Copa do Mundo. Há jogadores que exigem sprints repetidos e outros que percorrem facilmente 10 quilômetros durante uma partida da Copa do Mundo. Então, o gasto energético muda de acordo com a posição e também com as individualidades biológicas de cada jogador.”
Outro ponto ressaltado por Natália foi o contraste entre os hábitos dos atletas e dos torcedores durante grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo. Ela alertou para o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados durante os jogos da Copa do Mundo.
“Eventos esportivos como a Copa do Mundo fazem com que as pessoas se reúnam, e esse encontro geralmente envolve consumo excessivo de bebidas alcoólicas e frituras. Enquanto os jogadores estão lá comendo bem, o torcedor está consumindo excesso de calorias e se movimentando pouco, mesmo assistindo à Copa do Mundo.”
Por fim, a nutricionista comentou uma curiosidade comum observada durante as partidas da Copa do Mundo: o chamado bochecho de carboidrato, técnica utilizada por atletas para reduzir a percepção de esforço sem necessariamente ingerir a bebida.
“Muitas vezes as pessoas vêem o jogador consumindo um líquido, colocando na boca e cuspindo logo em seguida durante a Copa do Mundo. Isso é uma prática muito estudada chamada bochecho de carboidrato. Nossa cavidade oral possui receptores capazes de identificar a chegada do carboidrato, o que diminui a sensação de esforço do jogador, especialmente durante a Copa do Mundo. Não precisa fazer a ingestão, basta o bochecho.”

