Alimentação no período junino: como aproveitar as comidas típicas sem exageros
Nutricionista orienta sobre consumo consciente de pratos típicos no São João e destaca que equilíbrio é a chave para aproveitar as festas
Com a chegada das festas juninas, mesas repletas de milho, canjica, pamonha, bolo de milho, pé de moleque e outras delícias típicas passam a fazer parte da rotina de muitas pessoas. Embora essas comidas tenham valor cultural e afetivo, o consumo excessivo pode trazer impactos para a saúde, especialmente quando há exagero nas quantidades, no açúcar, nas gorduras e nas bebidas alcoólicas.
Comidas como pé-de-moleque, cocada e quentão são bombas calóricas concentradas. O ideal é escolher apenas um ou dois doces favoritos para degustar aos poucos, em vez de experimentar tudo na mesma noite. Além disso, o álcool presente no vinho quente e no quentão aumenta o consumo de calorias vazias.
Para tratar do assunto, o âncora da Rádio Folha FM 96,7 FM, Jota Batista, entrevistou, nesta sexta-feira (19), a nutricionista Flávia Formiga, no Canal Saúde, que falou sobre como aproveitar as comidas típicas do período junino de forma equilibrada e sem abrir mão das tradições.
Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:
Flávia Formiga iniciou a entrevista quebrando o estigma de que pacientes com restrições de saúde não podem aproveitar o São João, explicando que o verdadeiro perigo não é o milho em si, mas sim os excessos e os ingredientes adicionados na comida.
“Não existe um alimento que, por si só, faça mal à saúde. O milho, por exemplo, não tem contraindicação específica para pessoas com diabetes ou hipertensão. O problema, na maioria das vezes, está no excesso de consumo. Quando adaptamos as preparações — como usar menos açúcar e optar por ingredientes mais leves, como leite desnatado ou versões com menor teor de gordura — conseguimos incluir alimentos à base de milho na alimentação de forma mais equilibrada.”
Flávia Formiga, Nutricionista
Ao abordar a tática de algumas pessoas que passam o dia inteiro sem comer para poder comer mais nas festas à noite, a especialista alertou que essa privação é um tiro pela culatra, pois destrói a capacidade de fazer escolhas conscientes em relação a comida.
“Quanto maior a fome, mais difícil fica fazer boas escolhas alimentares. Quando a pessoa está com muita fome, ela tende a agir no impulso, sem refletir muito, apenas buscando matar a fome rapidamente. Por isso, o ideal é se planejar e fazer uma refeição ou um lanche que aumente a saciedade antes desse momento, especialmente algo com boa quantidade de proteína.”
A nutricionista explicou o motivo fisiológico pelo qual comer comidas pesadas, ricos em açúcar e carboidratos típicos, logo antes de dormir causa tanto desconforto, refluxo e noites mal dormidas durante os festejos juninos.
“O ideal é evitar refeições muito ricas em açúcar e carboidratos antes de dormir. Isso acontece porque o nosso processo digestivo funciona de forma mais ativa durante o dia, quando há maior produção de enzimas. À noite, essa atividade diminui. Assim, quando comemos muito e logo deitamos, aumentamos o risco de refluxo e também a sensação de desconforto, como estômago muito cheio.”
Por fim, Flávia Formiga desmistificou a famosa dieta "detox" que muitos buscam após o São João, esclarecendo que passar fome ou consumir apenas comida líquida não limpa o organismo, e que os verdadeiros responsáveis por essa faxina são os nossos próprios órgãos.
“A ideia de que uma dieta ‘detox’ faz a desintoxicação do corpo não é correta. Quem realiza esse processo são órgãos como o fígado, os rins e o intestino. O problema é que muitas pessoas acreditam que ‘detox’ significa apenas tomar sucos verdes e deixar de se alimentar adequadamente. O mais indicado, especialmente após períodos de exagero alimentar, como festas, é retomar a rotina normal e buscar uma alimentação com o mínimo possível de alimentos ultraprocessados.”


Flávia Formiga, Nutricionista