Sáb, 08 de Agosto

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Calor intenso no inverno acende alerta para riscos à saúde do coração e dos pulmões

Especialista orienta sobre os principais riscos e os cuidados para enfrentar as altas temperaturas

Foto: Canva

Por mais que o inverno costuma ser associado a temperaturas mais amenas, o Recife tem registrado dias de calor intenso mesmo durante a estação. As mudanças climáticas e as ondas de calor fora de época podem trazer consequências negativas para a saúde, principalmente em pessoas com imunidade mais baixa, como idosos, crianças, gestantes e pacientes com doenças cardiovasculares ou respiratórias.

Quando os termômetros sobem, consequentemente o calor aumenta, e o organismo precisa se esforçar para manter a temperatura corporal equilibrada. Esse processo aumenta a perda de líquidos por meio da transpiração e pode sobrecarregar o coração e os pulmões, favorecendo quadros de desidratação, queda da pressão arterial, mal-estar e agravamento de doenças já existentes.

Nesta quarta-feira (05), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou, no Canal Saúde, com o cardiologista Rodrigo Pedrosa, que falou e deu dicas sobre o calor intenso em pleno inverno.

Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:

Rodrigo Pedrosa iniciou a entrevista explicando como o calor intenso afeta o organismo de pessoas mais vulneráveis, forçando o coração a trabalhar em um ritmo muito mais acelerado para tentar compensar a queda da pressão arterial. 

"Para o paciente que já tem uma doença cardiovascular ou pulmonar, o calor intenso pode ser um fator a mais de agravamento. Principalmente nos dias mais quentes, quando a pessoa não bebe água ou não mantém uma hidratação adequada, onde pode ocorrer uma queda da pressão arterial. Com isso, o organismo precisa trabalhar mais, aumentando o esforço do coração e, consequentemente, a frequência cardíaca."

Rodrigo Pedrosa, cardiologista

Ao detalhar as reações físicas à temperatura elevada, o especialista destacou o fenômeno da vasodilatação e fez um alerta importante para pacientes que já utilizam medicamentos reguladores de pressão. 

"O organismo dilata os vasos sanguíneos para aumentar a circulação pela pele e, assim, dissipar e liberar o calor. Essa dilatação pode provocar uma queda da pressão arterial. Em alguns casos, por exemplo, se o paciente já usa diuréticos para controlar a pressão alta, essa queda pode ser ainda maior."

Além disso, o cardiologista também alertou que a desidratação severa altera as propriedades físicas do sangue, elevando as chances de entupimentos vasculares perigosos. 

"Se a pressão dele baixar demais, isso também pode ser um fator de agravamento. Da mesma forma, quando você se desidrata, o sangue fica mais concentrado, o que pode aumentar a viscosidade e, consequentemente, favorecer a formação de coágulos. Isso pode elevar o risco de um quadro de trombose."

Por fim, Rodrigo Pedrosa desfez a ilusão de que o consumo de bebidas alcoólicas serve para repor os líquidos perdidos no calor, apontando o efeito reverso que o álcool provoca no organismo. 

"O líquido ideal para a hidratação é a água. O grande problema do álcool é que, apesar de ser um líquido e dar uma sensação imediata de alívio da sede, ele aumenta a diurese, ou seja, a eliminação de urina. Por isso, temos uma falsa impressão de que estamos hidratados, quando, na verdade, o consumo de álcool pode favorecer a desidratação."

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