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Casos de apendicite em crianças exigem diagnóstico rápido para evitar complicações

Dor abdominal persistente pode ser um sinal de alerta; diagnóstico precoce reduz o risco de perfuração e outras complicações

Foto: Canva

A apendicite aguda é uma das principais causas de cirurgia abdominal de urgência em crianças e adolescentes. Por mais que possa ocorrer em qualquer idade, a condição é mais frequente a partir dos 5 anos, com maior incidência entre 10 e 19 anos. O problema acontece quando o apêndice, uma pequena estrutura ligada ao intestino grosso, sofre uma obstrução, geralmente provocada por um fecalito, pequeno fragmento endurecido de fezes, levando à inflamação e à infecção.

Os primeiros da apendicite sintomas podem ser confundidos com uma virose ou intoxicação alimentar. A dor geralmente começa na região do umbigo e, após algumas horas, pode migrar para o lado inferior direito do abdômen. Febre, perda de apetite, náuseas e vômitos também podem aparecer. Em alguns casos, a criança apresenta dificuldade para caminhar devido à intensidade da dor.

Nesta quinta-feira (13), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou, no Canal Saúde, com o cirurgião pediátrico, Bruno Duarte, que falou sobre os casos de apendicite em crianças.

Acompanhe a entrevista através dos players abaixo: 

Bruno Duarte explicou que, embora o apêndice tenha sido considerado um órgão sem utilidade no passado, os estudos comprovam que ele funciona como um reservatório de células de defesa do corpo.

“Durante muito tempo, acreditou-se que o apêndice era um órgão vestigial, ou seja, que não exercia uma função importante no organismo. Hoje os estudos mostram que ele desempenha um papel no sistema imunológico, funcionando como um reservatório de células de defesa e contribuindo para a resposta imunológica do organismo.”

Bruno Duarte, cirurgião pediátrico

O especialista revelou que o sinal clássico da apendicite aguda é uma dor persistente que se inicia ao redor do umbigo e, com o tempo, localiza-se do lado direito do abdômen.

“Normalmente, nas primeiras 24 horas, a dor da apendicite começa na região ao redor do umbigo, sendo chamada de dor periumbilical. Com o passar do tempo, ela tende a se deslocar e se concentrar no lado direito e inferior do abdômen, na chamada fossa ilíaca direita. Por isso, é conhecida como uma dor migratória.”

De acordo com o cirurgião, a demora em buscar atendimento médico está diretamente ligada ao agravamento da infecção, aumentando os riscos de perfuração e complicações pós-operatórias.

“As complicações estão diretamente relacionadas ao tempo que o paciente leva para receber assistência médica. Quanto mais demora para o diagnóstico e o tratamento, maior é o risco de a apendicite evoluir para uma forma complicada. Consequentemente, aumenta também a possibilidade de o paciente precisar permanecer mais tempo internado.”

Por fim, Bruno Duarte falou sobre a cirurgia padrão-ouro, um método minimamente invasivo que reduz cicatrizes e acelera a alta hospitalar para o dia seguinte nos casos simples.

“Preferencialmente, a apendicectomia é realizada por videolaparoscopia. Nesse procedimento, introduzimos uma câmera, chamada de ótica, por meio de uma pequena incisão na região do umbigo. Em seguida, são feitas mais duas pequenas incisões, por onde passam os instrumentos cirúrgicos. Dessa forma, conseguimos realizar a cirurgia de maneira minimamente invasiva, com cortes menores e menor trauma para o paciente.”

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