Como os neurodivergentes podem aproveitar melhor o carnaval?
Especialista destaca segurança, previsibilidade e adaptação dos estímulos como pontos-chave para garantir inclusão e bem-estar durante a folia
O Carnaval é folia, fantasias, muito colorido, grandes aglomerações e muito barulho. No entanto, a festa pode representar obstáculos significativos devido ao excesso de estímulos sensoriais, como sons altos, multidões e mudanças na rotina para as pessoas neurodivergentes.
É preciso buscar experiências mais adequadas, inclusivas e confortáveis, respeitando diferentes sensibilidades e formas de participação desse grupo.
Nesta quarta-feira (11), Jota Batista, âncora da Rádio Folha 96,7 FM, conversou, no Canal Saúde, com a psicopedagoga e analista comportamental, Cinthia Cardoso. Ela falou sobre os cuidados com os neurodivergentes no carnaval.
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Cíntia Cardoso iniciou o alerta destacando a segurança como prioridade absoluta, especialmente para pessoas não verbais
“É importante considerar que um elemento fundamental para essa festividade é a segurança. Porque se o portador do transtorno não for verbal e ele tiver numa situação de risco, ele não vai ter como solicitar apoio, sem deixar de considerar os cordões de identificação e a carteirinha do autismo.”
Psicopedagoga, Cinthia Cardoso/Foto: Divulgação
A especialista chamou a atenção dos pais sobre as fantasias, explicando que o conforto sensorial deve prevalecer sobre a estética para evitar crises no meio da festa
“É importante para esse tipo de portador considerar a qualidade da fantasia e se ela vai estar confortável naquele momento numa aglomeração com a música alta. Desconfortos anteriores a esse momento, não pega o portador de surpresa, porque ele pode não querer ter uma crise.”
Sobre o ambiente da folia, Cíntia detalhou o desafio do excesso de estímulos simultâneos
“São vários estímulos num momento só, não é? Luzes, cores, a aglomeração, o calor, é muito estímulo, é pedir demais para quem dá muito pouco. É por isso que eu insisto na previsibilidade. Se a família adota o carnaval como tradição, ele tem que ser inserido aos poucos.”
Por fim, a psicopedagoga recomendou o uso de abafadores de ruído para proteger quem tem hipersensibilidade auditiva
“Uma hipersensibilidade auditiva, ela pode causar um ferimento neurossensorial em que ele não vai conseguir administrar aquele barulho. Se ele tem uma situação clínica moderada, porque não buscar o abafador. Não achar que é carnaval, que ele pode ficar solto.”

