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Resgatando a Cidadania

Expressões populares carregadas de preconceitos é tema do Resgatando a Cidadania

Domingos Sávio fala sobre termos preconceituosos usados e normalizados diariamente pela população

Domingos SávioDomingos Sávio - Foto: Folha de Pernambuco

No cotidiano, é comum ouvir expressões como “João sem Braço”, “ceguinho”, “sofrendo igual a suvaco de aleijado”,  “parece que é surdo”, mas apesar de serem frequentemente usadas, elas são carregadas de preconceito contra a pessoa com deficiência e precisam ser retiradas do vocabulário popular. Foi baseado nesta temática que no final do Setembro Verde, mês da pessoa com deficiência, Domingos Sávio conduziu o programa Resgatando a Cidadania desta semana, juntamente com a psicóloga e professora de Braille do Estado de Pernambuco e do Instituto de Cegos Antônio Pessoa de Queiróz, do Recife, Ivana Barbosa, e a ex-diretora de escola em São Paulo, professora Rosana Mautone, que é cega e conhece na pele o peso dessas expressões. 

Capacitismo
Os termos preconceituosos já mencionados são denominados de capacitistas. O conceito de capacitismo ganhou popularidade nos Estados Unidos na década de 1980 e até hoje é utilizado para descrever não só expressões de cunho preconceituoso, como também falas que tendem a diminuir, intimidar ou ridicularizar uma pessoa com deficiência. Como por exemplo, achar que uma pessoa não pode apreciar a letra de uma música somente por ser surdo. “Independente do lugar que estejamos, temos essas frases e palavras que estão arraigadas na sociedade. Hoje participei de uma reunião onde um dos participantes falou ‘Nós não vamos ter braços pra tudo isso’, e não pude ficar quieta, logo falei que essa frase é impregnada de preconceito, significa que você diz que uma pessoa que não tem braços é incapaz de fazer algo”, disse a professora Rosana Mautone. Ela ainda acrescenta dicas de mudança no vocabulário, “Porque não dizer ‘eu não tenho condições', 'nós não teríamos condições’, ‘é muita coisa para fazer de uma vez’, ou ‘vamos fazer devagar’ ? são frases que a gente precisa repensar como tantas outras”.  

Além das expressões errôneas do cotidiano, um assunto que entrou no debate foi sobre os cuidados em como se referir a uma pessoa com deficiência. “ Uma coisa interessante é quando Rosana fala ‘sou uma pessoa com deficiência’, porque toda a sociedade usa termos que passam a entender que a pessoa é a deficiência, mas ela é muito maior que aquilo. Uma das características da pessoa é ter uma determinada deficiência, temos que entender e olhar a pessoa como um todo.” Disse Ivana Barbosa.     

A entrevista completa está no Podcast Inclusão e Acessibilidade disponível no link (https://soundcloud.com/folhape/250921-expressoes-populares-carregadas-de-preconceitos-e-tema-do-resgatando-a-cidadania) e também no Spotify e deezer. O programa Resgatando a Cidadania acontece todos os sábados das 12:00 às 13:30 na rádio folha FM 96,7. 

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