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Feridas na pele: como o calor excessivo coloca pessoas com mobilidade reduzida em risco

Especialista alerta que os impactos das altas temperaturas combinadas à alta umidade podem provocar o aparecimento de feridas na pele

Foto: Canva

Em um mundo cada vez mais consciente da importância dos cuidados com a saúde, há um fator invisível que muitas vezes passa despercebido, mas pode ser um dos maiores inimigos da integridade da pele: o suor e a umidade.

Durante os meses de calor intenso, especialmente em idosos e pessoas com mobilidade reduzida, os efeitos do suor podem ser devastadores para a pele, favorecendo o surgimento de lesões e feridas difíceis de tratar.

No Canal Saúde dessa sexta-feira (03), a âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Simone Ventura, conversou sobre os perigos para a pele de pessoas idosas e/ou com mobilidade reduzida com o coordenador do serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Santa Joana Recife e coordenador médico da Clínica Florence, o doutor Wagner Reis.

Acompanhe a entrevista através do player abaixo:

 

 

O Dr. Wagner, especialista na área de cuidados paliativos, alertou sobre como as altas temperaturas, aliadas à sudorese excessiva, alteram a resistência estrutural da pele, tornando-a mais suscetível a feridas. Segundo ele, o suor cria um ambiente úmido que não só agrava o calor local, mas também pode levar à formação de lesões.

"Em especial por conta da sudorese, do suor. Então fica um ambiente úmido que piora o estado do calor local ali e pode favorecer o surgimento da lesão propriamente dita, pois se eu tô começando a criar um ambiente que pode criar sujidade, a própria umidade em si, ela prejudica e favorece essa abertura da pele", explicou o médico.

 

Dr. Wagner Reis, paliativista.

 

O Dr. Wagner Reis fez questão de alertar que, apesar de colchões especiais poderem ser um auxílio importante, eles não substituem o trabalho fundamental do reposicionamento manual e frequente do paciente.

"Esses colchões não substituem, são um adicional. Se o cuidador não estiver mudando o paciente de posição, ele vai ter lesão de pele. Então é modificar a posição o mais importante", enfatizou o médico.

De acordo com o especialista Wagner Reis, outro fator crucial que agrava a saúde da pele, especialmente em idosos, é a desidratação.

"O idoso passa a não desejar água. O corpo não vai avisar para tomar água, então ele desidrata, o rim piora… então, a gente precisa estimular essa hidratação. A falta de hidratação adequada enfraquece as defesas naturais da pele, tornando-a mais vulnerável à formação de lesões e dificultando a cicatrização", alertou o especialista.

O Dr. Wagner Reis ressaltou que os cuidadores, por mais sobrecarregados que possam estar, devem se lembrar de que sua dedicação e esforço são cruciais para a saúde do paciente, e que pequenas falhas ocasionais não devem ser motivo de culpa.
 

"Por mais que você cuide muito e faça tudo muito bem, às vezes é inevitável. A pele tá tão sofrida que o paciente pode adquirir uma ferida. Isso não deve causar auto condenação da pessoa que tá ali se esforçando tanto para cuidar e para tentar causar o melhor. A chave está em prevenção, comunicação constante e, acima de tudo, na empatia para com os pacientes e suas famílias", disse o médico.

Embora o suor, a desidratação e a falta de reposicionamento sejam fatores significativos que aumentam o risco de lesões na pele, é importante entender que esses problemas podem ser minimizados com medidas preventivas. Além da hidratação adequada, o cuidado constante com a posição do paciente e a atenção à higiene da pele são fundamentais para evitar complicações.

 

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