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Insuficiência cardíaca: doença silenciosa que está entre as principais causas de internação no país

Especialista alerta para sintomas, fatores de risco e destaca que o diagnóstico precoce pode evitar complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes

Foto: Canva

A Insuficiência Cardíaca chama a atenção para uma doença que afeta milhões de brasileiros e está entre as principais causas de internação pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente, comprometendo o funcionamento do organismo e reduzindo a qualidade de vida.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 2 milhões de brasileiros convivem com a doença, com aproximadamente 240 mil novos casos registrados a cada ano. O envelhecimento da população e o aumento de doenças como hipertensão, diabetes, obesidade e infarto têm contribuído para o crescimento dos números da insuficiência cardíaca

Nesta quarta-feira (15), o âncora da Rádio Folha FM 96,7, Jota Batista, conversou, no Canal Saúde, com Fabiana Oliveira, cirurgiã cardiovascular do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (Ricca), que falou sobre a insuficiência cardíaca

Acompanhe a entrevista através dos players abaixo: 

Fabiana Oliveira iniciou a entrevista explicando que a insuficiência cardíaca costuma começar de forma silenciosa, pois o músculo cardíaco tenta esconder a sua própria falha trabalhando com mais força, até o momento em que o corpo não suporta mais e emite os alertas clássicos. 

"Quando o coração começa a sofrer alguma alteração, ele geralmente consegue compensar no início. Para manter seu funcionamento, passa a trabalhar com mais esforço. No entanto, se a causa do problema não for corrigida, essa compensação deixa de ser suficiente e os sintomas começam a aparecer" afirma Fabiana Oliveira.

Fabiana Oliveira, cirurgiã cardiovascular do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (Ricca)

Ao detalhar o comportamento comum dos pacientes, a especialista fez um alerta gravíssimo sobre como as pessoas param de fazer atividades físicas para evitar o desconforto, acreditando que esse seria o problema, o que termina atransando a procura de um profissional.

"À medida que a doença evolui, o paciente começa a sentir limitações durante os esforços físicos. Em vez de procurar um médico, muitas vezes ele passa a evitar essas atividades para conseguir manter a rotina. Além disso, é comum associar essa perda de condicionamento físico apenas ao envelhecimento. Por isso, quando a aptidão física começa a diminuir sem uma explicação clara, é importante investigar se existe algum problema de saúde por trás desses sintomas." 

Além dos riscos genéticos, da diabetes e da obesidade, a cirurgiã foi contundente ao posicionar o tabagismo não apenas como um vilão dos pulmões, mas como um poderoso destruidor de todo o sistema vascular, agravando a falência do coração. 

"O cigarro tem um efeito fortemente inflamatório e não prejudica apenas o coração, mas também os vasos sanguíneos. Por isso, ele é um dos principais fatores de risco para diversas doenças, aumentando as chances de AVC, doença renal e outros problemas cardiovasculares."

Por fim, Fabiana Oliveira desmistificou a ideia de que a insuficiência cardíaca se resolve definitivamente com um simples remédio, explicando que, exceto em casos pontuais de cirurgia valvular, a doença exige um gerenciamento constante para garantir a qualidade de vida do paciente. 

"Eu costumo dizer que o paciente continua tendo insuficiência cardíaca; a diferença é que ela pode estar controlada. Isso porque a doença não desaparece, mas pode ser mantida sob controle com o tratamento adequado. Alguns pacientes podem apresentar pressão baixa porque o coração não consegue bombear sangue suficiente. Outros conseguem manter o bombeamento, mas às custas de um esforço muito maior do coração. Por isso, o foco não é dizer que a insuficiência cardíaca foi curada, e sim avaliar se ela está bem controlada." 

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