Longevidade: saúde e tabus da vida sexual da pessoa idosa
Com o aumento da população idosa no Brasil, discutir a vida sexual após os 60 anos se torna essencial para quebrar estigmas e promover envelhecimento saudável.
Um levantamento do Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou um retrato marcante do país: os brasileiros com 65 anos ou mais já somam 22,2 milhões de pessoas, o equivalente a cerca de 11% da população. O dado evidencia o envelhecimento acelerado da sociedade e traz à tona um tema ainda pouco debatido, a vida sexual na velhice.
Nesta sexta-feira (24), no quadro Canal Saúde do programa Conexão Notícias, na Rádio Folha FM 96,7, o âncora Jota Batista conversou com o geriatra Rodrigo Patriota, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), sobre a sexualidade na terceira idade, os preconceitos sociais e a importância de enxergar o idoso como um ser integral. A entrevista completa está disponível nas plataformas de áudio e no canal da Folha de Pernambuco.
Assista à entrevista completa abaixo:
Segundo o especialista, ainda existe uma resistência cultural em aceitar que pessoas idosas vivem e desejam a sexualidade.
"Um dos mitos que se criou em relação a medicação para ereção é de que é um remédio inseguro, de que aumenta o risco de morrer do coração."
Rodrigo Patriota, geriatra
Para o geriatra, a falta de informação e o preconceito social geram um silêncio que prejudica a saúde física e emocional dos idosos.
"A gente tem visto aumentar a quantidade de mulheres idosas com HIV, inclusive com histórico de serem monogâmicas, de terem relação somente com o marido"
Rodrigo Patriota também alertou que manter uma vida sexual ativa e segura na terceira idade depende, além da saúde física, do diálogo e da autonomia.
"O outro risco é o homem que tinha disfunção erétil, toma medicação, fica com o pênis erético e ele acha que a mulher automaticamente tá pronta para ele. Isso é muito comum, mas não é assim. A mulher ela precisa de uma preparação antes da penetração. Ela precisa ser estimulada."
"Hoje em dia a gente tem muito caso hoje de impotência sexual, principalmente em homens, porque ele fica viciado em pornografia"
O especialista reforçou ainda que a sexualidade na velhice não se resume ao ato sexual, mas engloba o carinho, o toque e a troca de afeto.
Com o envelhecimento da população brasileira, a discussão sobre a sexualidade na terceira idade se torna urgente. Falar sobre o tema é promover saúde, dignidade e qualidade de vida, afinal, o direito ao prazer e ao afeto não tem idade.

