Obesidade infantil avança no Brasil e especialistas alertam para hábitos que começam dentro de casa
03 de junho marca o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil
O dia 3 de junho alerta para o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, uma data essencial para combater uma das crises de saúde pública mais graves do país. O excesso de peso na infância aumenta o risco de doenças que antes eram mais comuns na vida adulta, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto e problemas cardiovasculares. Os hábitos alimentares adotados dentro de casa estão entre os principais fatores relacionados ao avanço da obesidade infantil.
Além dos impactos físicos, a obesidade infantil também pode afetar a autoestima, o desempenho escolar e a saúde mental das crianças. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos apresentam obesidade infantil, cenário esse que preocupa especialistas.
O âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou nesta quarta-feira (03), Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, no programa Canal Saúde, com Bárbara Santana, nutricionista e professora do curso de Medicina da Afya Jaboatão, que explicou os fatores que contribuem para o aumento da obesidade infantil no Brasil.
Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:
Bárbara Santana iniciou a entrevista desmistificando a ideia de que tratar a obesidade infantil significa privar a criança de comer, explicando que o foco deve ser em aprender a fazer trocas nutricionais.
"Não deve ser algo pontual, mas uma mudança para a vida toda. Muitas pessoas têm receio quando ouvem a palavra 'dieta', porque a associam à ideia de passar fome. Por isso, eu nem gosto muito de dizer que prescrevemos dietas. Na verdade, o objetivo é ajudar a pessoa a fazer melhores escolhas alimentares."
Bárbara Santana, nutricionista e professora do curso de Medicina da Faculdadade Afya de Jaboatão
Ao abordar o histórico de obesidade infantil na família, a especialista explicou que os hábitos diários e o ambiente em que a criança vive são capazes de se sobrepor ao DNA, evitando que a doença se manifeste.
"Não é porque eu tenho uma predisposição genética ou porque minha família tem histórico de obesidade que necessariamente também serei obeso. A genética influencia, mas não determina tudo. Nossas escolhas alimentares e hábitos de vida podem reduzir significativamente esse risco. Hoje sabemos que a alimentação e o ambiente em que vivemos podem influenciar a forma como determinados genes se manifestam."
Além disso, a nutricionista Bárbara Santana fez um alerta importante sobre o hábito moderno de alimentar as crianças na frente de televisões ou tablets, o que "anestesia" o cérebro, podendo desenvolver a obesidade infantil.
"Quando desviamos a atenção durante a refeição, deixamos de perceber os sinais que o nosso corpo envia. Continuamos comendo de forma automática e, quanto mais isso acontece, menos percebemos a sinalização de saciedade. Como consequência, tendemos a comer mais do que realmente precisamos."
Por fim, a especialista destacou o erro comum de encher as lancheiras com produtos industriais práticos, que além de causarem obesidade infantil por terem calorias vazias, escondem riscos graves para o futuro da saúde.
"Às vezes vemos lancheiras escolares compostas por biscoitos industrializados, sucos de caixinha e salgadinhos. Quando esses alimentos ultraprocessados fazem parte da rotina, estamos oferecendo uma alimentação com excesso de corantes, aditivos, açúcar, sódio e gorduras, o que pode aumentar o risco de obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças ao longo da vida.”


Bárbara Santana, nutricionista e professora do curso de Medicina da Faculdadade Afya de Jaboatão