Outubro Rosa: HCP alerta que câncer de mama também pode atingir mulheres antes dos 40 anos
Mastologista destaca importância do diagnóstico precoce, dos exames de rastreamento e da adoção de hábitos saudáveis
O câncer de mama não é uma doença restrita às mulheres mais velhas. Embora a idade seja um dos principais fatores de risco e a maioria dos casos ocorra após os 50 anos, mulheres jovens também podem receber o diagnóstico. Durante a campanha Outubro Rosa, o Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) reforça a importância de conhecer os sinais da doença e manter o acompanhamento médico.
Nódulos na mama ou na axila, alterações no formato da mama ou do mamilo, secreção espontânea e mudanças na pele estão entre os sinais que merecem atenção e devem ser avaliados por um profissional de saúde quando persistirem.
Nesta sexta-feira (2), o âncora da Rádio Folha FM 96,7, Jota Batista, conversou, no Canal Saúde, com a mastologista Carolina Vasconcelos, do HCP, sobre o câncer de mama em mulheres jovens, prevenção e diagnóstico precoce.
Carolina Vasconcelos explicou que uma parcela significativa dos casos ocorre em mulheres com menos de 50 anos e relacionou o aumento da incidência entre pacientes mais jovens a mudanças no estilo de vida.
"A estatística no Brasil é que 40% dessa casuística vai acometer mulheres abaixo dos 50 anos. Então, em torno de 15 a 20% mulheres abaixo dos 35 anos. Então a gente vê realmente um aumento na incidência em mulheres mais jovens muito relacionado ao estilo de vida da mulher moderna. Então as mulheres estão tendo menos filhos, estão amamentando menos... Então tem o estresse, o sedentarismo, a obesidade. O cigarro, o uso frequente de anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal."
A especialista também destacou a mudança na faixa etária para o início do rastreamento mamográfico no SUS.
"Recentemente o Ministério da Saúde aprovou a antecipação do início do rastreio com a mamografia, que antes era realizado a partir dos 50 anos e agora mulheres a partir dos 40 anos já podem realizar sua mamografia no SUS. Deve-se fazer a mamografia de maneira anual, exatamente pra gente conseguir detectar aquele nódulo, aquele tumor, quando ele é impalpável, quando ele não é possível no toque, nem no autoexame da paciente e nem por nós. É o único exame que reduz mortalidade por câncer de mama."
Em mulheres jovens, a ultrassonografia pode ser utilizada como exame complementar à mamografia, especialmente quando há maior quantidade de tecido glandular. No entanto, a especialista reforça que um exame não substitui o outro, já que a mamografia é mais adequada para identificar microcalcificações.
O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e pode permitir procedimentos que preservam a mama.
"Hoje a gente com toda certeza pode afirmar que a cirurgia conservadora ela é tão segura quanto a mastectomia. O câncer de mama hoje quando a gente consegue detectar cedo, ele tem mais de 95% de chance de cura."
Além dos exames e do acompanhamento médico, hábitos saudáveis podem contribuir para reduzir o risco da doença.
"Os exames de imagem têm sua importância, mas não evitam a doença. A gente consegue reduzir o nosso risco fazendo atividade física regular, controle de peso, manejo do estresse, evitar excesso de cigarro e álcool, alimentação saudável."

