Por que os jovens estão ficando calvos cada vez mais cedo?
Especialista explica os fatores que contribuem para o aumento da queda de cabelo na juventude
A calvície costuma ser associada ao envelhecimento, mas tem se tornado cada vez mais comum entre pessoas mais jovens. Estimativas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apontam que, dos 42 milhões de brasileiros afetados pela condição, cerca de 25% têm entre 20 e 25 anos.
Embora a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície hereditária, seja a principal causa da perda capilar, especialistas alertam que fatores ligados ao estilo de vida moderno têm contribuído para o surgimento precoce do problema. Estresse constante, alimentação inadequada, privação de sono e rotinas intensas são fatores que podem acelerar a calvície.
O âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou nesta segunda-feira (01), no Canal Saúde, com Renata Souto Maior, biomédica especialista em tricologia regenerativa, que explicou os fatores que contribuem para o aumento da calvície na juventude.
Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:
Renata Souto Maior iniciou a entrevista desmistificando a ideia de que a calvície é exclusivamente uma herança familiar inevitável, revelando que o estilo de vida tem um peso muito maior na expressão dessa condição.
"Costuma-se dizer que cerca de 30% do risco está relacionado à herança genética, enquanto aproximadamente 70% depende dos hábitos de vida. Esses hábitos influenciam o funcionamento dos genes por meio de alterações epigenéticas, que afetam a maneira como o DNA das células se expressa. Por isso, a ideia de que alguém está inevitavelmente destinado a desenvolver uma doença porque seus pais a tiveram já não é aceita da mesma forma.”
Renata Souto Maior, biomédica
Ao abordar os efeitos da falta de sono adequado e do estresse, a especialista explicou que os fios são a estrutura mais sensível do corpo, funcionando como um alarme visível de que algo no organismo está em desequilíbrio."Costumo dizer que o cabelo funciona como uma espécie de antena metabólica.
"Quando algo não está funcionando bem no organismo, ele tende a captar esses desequilíbrios e reagir de alguma forma. Alterações nos fios podem ser um sinal de que há processos desregulados ou desorganizados no corpo. Por isso, não adianta ignorar os sinais: muitas vezes, o cabelo reflete problemas que têm origem na saúde geral do organismo."
Explicando o motivo pelo qual jovens de 20 a 25 anos estão perdendo cabelo de forma tão acelerada, a biomédica apontou o excesso de ultraprocessados na alimentação diária como o principal combustível para a queda capilar.
"Entre os alimentos que costumam ser associados a piores desfechos para a saúde estão o excesso de açúcar refinado, farinhas refinadas e, para algumas pessoas, produtos que contêm lactose. Esses alimentos têm sido amplamente estudados e podem contribuir para processos inflamatórios, alterações metabólicas e desequilíbrios hormonais quando consumidos em excesso.”
Por fim, a biomédica trouxe um horizonte de esperança ao detalhar que, se o paciente agir aos primeiros sinais de afinamento, os tratamentos regenerativos modernos conseguem ressuscitar o folículo sem a necessidade de um transplante.
"A tricologia regenerativa surge como uma alternativa para pessoas que identificam os primeiros sinais de queda ou enfraquecimento capilar, com o objetivo de evitar que o problema evolua a ponto de exigir uma intervenção cirúrgica. Atualmente, existem abordagens baseadas em fatores biológicos, como células-tronco, exossomos e peptídeos, que buscam estimular mecanismos de reparação e regeneração dos folículos capilares."


Renata Souto Maior, biomédica