Sete em cada dez quedas de idosos acontecem dentro de casa
Especialistas alertam para os riscos dentro do ambiente doméstico e destacam medidas simples que podem evitar acidentes
De acordo com dados de uma pesquisa realizada pela Fiocruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgada em maio de 2026, quatro em cada dez idosos que vivem em cidades brasileiras têm medo de sofrer queda. Entre as mulheres, esse índice chega a 50%, enquanto entre as pessoas com 80 anos ou mais alcança 63%.
Embora calçadas irregulares e vias públicas são fatores que podem contribuir para o risco de queda, a maioria dos acidentes ocorre dentro da própria residência. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 70% das quedas envolvendo idosos acontecem em casa, muitas vezes em situações que poderiam ser evitadas com adaptações simples no ambiente. Tapetes soltos, banheiros sem barras de apoio e corredores mal iluminados são fatores que podem influenciar na queda do idoso em ambiente doméstico.
Para tratar do assunto, o Âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, entrevistou, nesta quinta-feira (18), Rodrigo Patriota, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, no Canal Saúde, que falou sobre os riscos de queda dos idosos dentro do ambiente doméstico.
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Rodrigo Patriota iniciou a entrevista desmistificando a ideia de que o idoso está 100% seguro apenas por não sair na rua, alertando que a familiaridade com o próprio lar muitas vezes esconde as verdadeiras armadilhas que influenciam na queda.
"A maior parte das quedas envolvendo pessoas idosas acontece dentro de casa. Isso ocorre porque o ambiente doméstico é onde elas geralmente passam a maior parte do tempo e, por se sentirem mais à vontade, podem acabar relaxando alguns cuidados."
Rodrigo Patriota, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e GerontologiaAo detalhar as consequências físicas de uma queda, o especialista fez um alerta gravíssimo sobre a fratura de fêmur, explicando como ela desencadeia uma série de complicações severas que podem levar o paciente ao óbito nos anos seguintes
"Uma queda dentro de casa pode desencadear uma série de complicações. Muitas vezes, ela resulta em uma fratura de fêmur, que por sua vez leva à internação hospitalar e à necessidade de cirurgia. Estudos mostram que idosos que sofrem esse tipo de fratura apresentam uma taxa de mortalidade elevada nos anos seguintes ao acidente.”
O geriatra abordou um efeito colateral invisível, mas devastador: o trauma psicológico. Ele explicou como o idoso, após sofrer uma queda uma vez, passa a se isolar, o que acelera a perda de músculos e até mesmo da memória.
"Após sofrer uma queda, muitos idosos desenvolvem uma condição conhecida como medo de cair. Esse receio pode gerar ansiedade, insegurança e até pânico, levando a pessoa a evitar situações em que acredita estar exposta ao risco de uma nova queda. Como consequência, ocorre uma redução da funcionalidade, ou seja, da capacidade de realizar atividades do dia a dia de forma independente. “
Por fim, Rodrigo Patriota destacou que não se deve esperar a queda acontecer para adaptar a casa, revelando que o trajeto noturno para o banheiro é um dos momentos de maior risco de tombos.
"A prevenção de quedas não deve começar apenas depois que um acidente acontece, como instalar uma barra de apoio no banheiro após uma queda. O ideal é identificar precocemente sinais de perda de mobilidade e adaptar o ambiente antes que ocorram acidentes.”

