Seg, 18 de Maio

Logo Folha de Pernambuco
Canal Saúde

Sobrecarga e hábitos de risco elevam casos de doenças cardíacas entre mulheres

Especialistas alertam para mudanças no estilo de vida e reforçam a importância da prevenção

Foto: Canva

A crescente sobrecarga enfrentada pelas mulheres, que acumulam responsabilidades profissionais e domésticas, têm impactado diretamente a saúde cardiovascular feminina. Esse cenário, aliado a hábitos prejudiciais, tem contribuído para o aumento dos casos de doenças do coração nesse público.

Dados e observações clínicas apontam que fatores como consumo de álcool, tabagismo e a falta de tempo para a prática regular de atividades físicas têm se tornado mais comuns entre as mulheres. Esse conjunto de condições eleva significativamente os riscos de problemas cardíacos.

Historicamente mais frequentes entre os homens, as doenças cardiovasculares vêm apresentando crescimento expressivo entre as mulheres, reduzindo a diferença entre os dois públicos. Mesmo com maior presença nos consultórios médicos, muitas ainda encontram dificuldades em manter uma rotina saudável, o que compromete a prevenção.

De acordo com informações do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, as doenças cardiovasculares já superam os índices de câncer de mama e de útero entre as mulheres. No Brasil, especialmente na faixa etária entre 40 e 45 anos, essas doenças chegam a representar cerca de 30% das causas de morte feminina.

Nesta segunda-feira (4), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou com o cardiologista Carlos Japhet, no Canal Saúde, sobre os impactos desse estilo de vida e as principais formas de prevenção.

Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:

O cardiologista Carlos Japhet iniciou a entrevista fazendo um alerta grave de que o sistema de saúde, muitas vezes, falha com as mulheres 

"Na maioria das vezes as mulheres são subtratadas, subdiagnosticadas e subinvestigadas, elas, muitas vezes, não manifestam a dor torácica, a dor no peito como os homens. Elas manifestam de uma forma característica do sexo feminino, que seria exatamente um cansaço excessivo, é uma falta de ar", explicou.

Carlos Japhet, cardiologista

O especialista explicou por que mulheres frequentemente chegam às emergências infartando, mas seus exames iniciais não mostram o problema 

"Geralmente as mulheres têm menos alterações no eletrocardiograma, muitas vezes a mulher tem um exame absolutamente normal, porque não tem a doença obstrutiva com tanta frequência como o homem. Elas tem uma doença microvascular de pequenos vasos e muitas vezes até o diagnóstico é mais difícil de ser realizado"

Ele também chama atenção para Fatores de risco biológicos exclusivos das mulheres 

"A mulher tem uma questão da menarca, que é a primeira menstruação, se ela é muito precoce ou se ela é muito tardia. Isso é um fator de risco. A mulher engravida pode desenvolver a doença hipertensiva da gravidez, a pré-eclâmpsia, desenvolvendo diabetes gestacional e isso são fatores de risco" 

Por fim, o cardiologista evidenciou a fatura do estresse moderno e as "duplas jornadas" 

"O estresse significativo, não só com a família, marido, trabalho, muitas vezes elas são responsáveis financeiramente por sua casa e tudo isso traz esse componente, o quadro de depressão é muito mais evidente na mulher do que no homem, por isso que cresce cada vez mais o número de doenças cardiovasculares nas mulheres".

Veja também

Newsletter