Tabu sobre sexualidade de jovens com autismo aumenta riscos de abuso
A Psicóloga Frínea Andrade fala sobre o cuidado que os familiares devem ter sobre a sexualidade das pessoas atípicas
O tabu que existe sobre a sexualidade de jovens com autismo veio a tona esse mês, no dia mundial da conscientização do autismo, onde luta contra o preconceito com pessoas autistas e a falta de informação. Ganha força o alerta sobre os riscos de tratar a sexualidade de pessoas autistas como tabu. A falta de informação adequada pode aumentar a vulnerabilidade e trazer consequências à saúde. Um estudo publicado na revista científica Trauma, Violence, & Abuse aponta que 40% das pessoas com autismo já foram vítimas de abuso ou violência sexual, dado que evidencia a urgência do tema.
Além da maior vulnerabilidade à violência, estudos mostram que adolescentes e jovens com autismo vivenciam as transformações hormonais da puberdade, mas nem sempre entendem essas mudanças da mesma forma. Alterações como crescimento de pelos, menstruação e mudança na voz podem não ser entendidas de forma imediata pelos autistas.
Nesta quarta-feira (8), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Neneo de Carvalho, conversou com Frínea Andrade, psicóloga especialista em Transtorno do Espectro Autista, diretora do Instituto Dimitri Andrade e do Instituto Davi Andrade, sobre o cuidado que os familiares devem ter com pessoas atípicas.
Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:
A Psicóloga iniciou a discussão explicando que a sociedade costuma ignorar a sexualidade de pessoas com deficiência.
"A gente precisa ensinar os nossos filhos sobre público e privado, ensinar quem é que pode tocar nas partes íntimas [...] a pessoa com deficiência no decorrer da história, ela sempre foi muito angelicalizada, né, como se a sexualidade não fizesse parte dela. O que é totalmente inverídico [...] elas podem sofrer o abuso e não conseguir trazer essa informação"
Frínea Andrade, piscólogaA especialista desmistifica o medo comum de que abusadores são sempre "estranhos na rua".
"Os estudos mostram que 80% dos abusos acontecem com pessoas conhecidas. Então se engana quem pensa que o seu filho vai ser abusado por uma pessoa estranha. É muito menos provável. Então, a probabilidade é que seja alguém da confiança da criança que participa do dia a dia dela"
Para evitar que o abuso ocorra ou perdure, Frínea reforçou que a família precisa substituir a repressão pela educação sexual responsável.
"A gente precisa criar um solo fértil, um solo acolhedor, um solo de confiança para que os nossos filhos se abram conosco. Se eles não puderem confiar na gente, né, em quem é que eles vão poder confiar? E às vezes a gente peca por reprimir, por corrigir, e essa correção leva o sujeito a se isolar e não mais compartilhar o que tá acontecendo"
Por fim, a psicóloga destacou que o trauma se manifestará de forma física e comportamental nas pessoas autistas
"Ainda que o jovem não seja verbal, ela não consiga verbalizar o que aconteceu, mas ela vai dar sinais. Ela pode aparecer com incontinência urinária, ela pode reclamar de dor nas partes íntimas, ela pode também demonstrar medo na presença daquela pessoa. Ela pode vir a desenhar o que tá acontecendo..."

