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Volta à rotina, após férias, acende alerta para o efeito sanfona

Endocrinologista explica por que o organismo tende a recuperar o peso perdido e como manter o emagrecimento a longo prazo

Foto: Canva

Com o fim das férias e a retomada da rotina em agosto, muitas pessoas voltam a organizar a alimentação e a prática de exercícios. É também nesse período que pode surgir uma das principais frustrações de quem emagreceu: a recuperação dos quilos perdidos. O chamado efeito sanfona, no entanto, vai além da falta de disciplina e está relacionado a adaptações naturais do organismo.

Segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a obesidade é uma doença crônica e recidivante, o que significa que o organismo tende biologicamente a recuperar o peso perdido quando não existem estratégias adequadas para a manutenção do tratamento.

Nesta quarta-feira (12), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou, no Canal Saúde, com a endocrinologista Leila Gonzaga, especialista em emagrecimento e longevidade, sobre os mecanismos que favorecem o efeito sanfona e as estratégias para manter a perda de peso a longo prazo.

Acompanhe a entrevista através dos players abaixo:

Durante a entrevista, Leila Gonzaga explicou que o organismo reage à perda de peso como uma forma de proteção. A redução do peso pode provocar alterações no metabolismo e nos hormônios relacionados à fome e à saciedade, tornando mais difícil manter o novo peso.

“Quando emagrecemos, principalmente de forma rápida, o metabolismo desacelera para economizar energia e os hormônios responsáveis pela fome aumentam, tornando mais difícil manter o novo peso.”

Leila Gonzaga/endocrinologista

A especialista também destacou que a fase de manutenção deve ser encarada como parte fundamental do tratamento. Segundo ela, alcançar a meta de peso não significa que o acompanhamento deve ser encerrado.

“A fase de manutenção é tão importante quanto a perda de peso. É nela que ajustamos alimentação, atividade física e, quando necessário, o tratamento medicamentoso para evitar o efeito sanfona.”

Outro alerta feito pela endocrinologista envolve as dietas muito restritivas. Além de serem difíceis de manter, elas podem contribuir para a perda de massa muscular, reduzindo o gasto energético do organismo e favorecendo a recuperação do peso.

Para Leila Gonzaga, o retorno à rotina após as férias pode ser uma oportunidade para reorganizar hábitos e abandonar soluções imediatistas. O emagrecimento saudável deve estar associado a mudanças consistentes na alimentação, à prática regular de atividades físicas e ao acompanhamento profissional.

Por fim, a médica ressaltou que o objetivo do tratamento não deve ser apenas atingir determinado número na balança, mas preservar a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos.

“A balança pode até indicar o fim de uma etapa, mas o cuidado com a saúde metabólica deve continuar. O verdadeiro sucesso do tratamento é conseguir manter o peso e a qualidade de vida ao longo dos anos.”

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