Adeus, Robert Parker

Crítico ficou conhecido pelas avaliações de grande vinhos mundo afora

Famoso crítico anunciou aposentadoriaFamoso crítico anunciou aposentadoria - Foto: Divulgação

Não amigo, ele não morreu. Não é aquela maldita despedida definitiva, irrecorrível e irretratável. É que o Parker anunciou sua aposentadoria, no último dia 16 de maio. Aos 72 anos incompletos (novo, não é?).

Porém, saber passar o bastão para os mais jovens, a tão cobiçada sucessão, é um grande e admirável dom. Mas leitor, estou lhe falando de um homem que nem sei se você conhece.

Assim sendo, lhe faço a apresentação. Robert M. Parker Jr. é o mais famoso e um dos mais respeitados críticos de vinhos do mundo. Americano de Baltimore, Maryland, nascido em julho de 1947, despertou seu interesse por vinho em 1967, quando foi visitar sua namorada - até hoje sua esposa - que estudava na Universidade de Strasbourg, Alsace.

Aos 20 anos de idade, passar um mês naquele belíssimo lugar, bebendo seus deliciosos vinhos brancos, ao lado da namorada... Uh la la! Se ele não se encantasse pelo mundo de Baco - e pela Patricia - sei não amigo!

Mas a vida dura continua e ele concluiu o curso de Direito, se formando em 1973. Depois do que atuou como advogado no Farm Credit Banks of Baltimore até 1984, quando finalmente trocou as leis pelas uvas. Visto que nove anos antes já pensara em editar um guia de vinhos. Vontade reprimida pela pressão familiar para que seguisse a carreira advocatícia. Que lhe garantiria o “pão nosso de cada dia”!

Só que Parker, diferente do Marcelino, não queria pão, só vinho! Não está entendendo nada? Não conhece a história “Marcelino pão e vinho”? Parabéns, isso significa que você é muito jovem, leitor. Mas antes dessa mudança definitiva de vida - que ao contrário do temor familiar, lhe garantiu grande fortuna - Parker testou sua ideia.

Em 1978 enviou pelo correio uma publicação gratuita, The Baltimore-Washington Wine Advocate, para pequena lista de consumidores fornecida por comerciantes de vinho. Pouco tempo depois, a segunda edição, renomeada Wine Advocate, foi subscrita e paga por 600 pessoas.

Daí pra frente, só sucesso. Ao ponto que seu nariz (olfato) foi segurado por US$1 milhão. Tá vendo que não é afetação cheirar cálice de vinho? Em 2002 fundou o erobertparker.com, mais visitado site de vinhos do mundo. Escreveu 14 livros, traduzidos em vários países.

Manteve colunas em diversos periódicos do mundo, recebeu altas honrarias dos governos francês e italiano, foi tema de livros e filme (Mondovino). Que não lhe foi muito elogioso. Pois é, amigo. Mesmo com boas intenções, ninguém é unanimidade. Melhor diria, se faz sucesso, antes recebe muitas críticas. Bolsonaro que o diga. Cala-te boca, Murilo! Mas mesmos os opositores reconhecem que o mundo do vinho mudou com ele.

Que de acordo com o Los Angeles Times, é o mais importante crítico, de qualquer assunto, em qualquer lugar do mundo. Seu Wine Advocate e ramificações de mídia, que permanecem ativos e com alto faturamento, foram vendidos, por elevadas cifras, a investidores asiáticos e ao famoso Guia Michelin.

Comprovando que o melhor negócio que existe é uma boa ideia, executada com paixão. E passado adiante, sem apego. Por fim, dizem que uma das razões para essa precoce aposentadoria é a saúde combalida do Robert Parker. Acredito não, que vinho só faz bem, companheiro. Seja como for, polêmicas a parte, ele merece descanso. E com um encorpado vinho bordalês, fazer tim, tim, brinde à vida.

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Hoje de noite é sua única chance de participar do jantar harmonizado no restaurante Mirage (fone 3302.3306), elaborado só por mulheres. Nas panelas, a chef Taci Teti e nos vinhos, a sommelière Amanda Loyo. Com Gizelle Dias no som. Mas se avexe não, amigo, homem também pode entrar! Esse empoderamento feminino...

*É médico e enólogo. Escreve quinzenalmente neste espaço

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