Alimentação correta ajuda a aliviar o estresse

Muito além de consolo para dias difíceis, o alimento pode fornecer a energia positiva que faltava na sua rotina atribulada. Conheça o cardápio do bem e seus efeitos para aliviar o estresse do dia a dia

Arroz integral é clássico macrobióticoArroz integral é clássico macrobiótico - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Num mundo em que manter a calma serve de remédio contra as doenças do corpo e da mente, cozinhar se torna a profilaxia ideal em nome do bem-estar. Passou da hora de comer melhor, com mais consciência, para encarar a vida com leveza, sem tanta interferência química. E é para ontem, já que o Brasil amarga o segundo lugar de País mais estressado do globo, de acordo com o ranking International Stress Management Association (Isma) e sua lista das dez regiões mais afetadas com o problema.

Mesmo sem tanta alegria no País da praia e do Carnaval, que perde apenas para o rigor japonês e seus altos índices de ansiedade, ainda segundo o levantamento, a boa notícia é que nosso remédio está logo ali, na feira livre e no supermercado mais perto de casa. Que o diga o chá da folha do maracujá com propriedades semelhantes a um tranquilizante. O chocolate amargo com substância capaz de despertar alegria. Ou mesmo a seleção de algumas folhas verdes que agem diretamente no relaxamento muscular. Uma verdadeira farmácia natural para ninguém chegar à beira de um ataque de nervos. “Em picos de estresse, o organismo produz altas doses de adrenalina e logo a pressão arterial sobe, podendo causar incômodos graves como a enxaqueca. Um verdadeiro descontrole, que pode se prolongar por horas ou dias”, adianta o clínico geral, Celerino Carriconde.

Como ninguém está alheio aos problemas da vida moderna, resta preparar o terreno para o corpo não sentir tanto os efeitos dessa adversidade. É que a maneira de ele reagir a cobranças no trabalho, questões familiares, financeiras e até amorosas é ativando algumas interações entre o sistema nervoso e as secreções hormonais, aumentando, por exemplo, o nível de cortisol. “Primeiro, nunca perca o sono. Dormir é o melhor remédio. Se ele não vier, a folha do maracujá serve de ansiolítico. Para o caso da pressão arterial, o chá de capim-santo pode agir nesse equilíbrio. No mais, é respirar corretamente e ter um histórico que passe longe do sedentarismo”, aconselha o especialista.

Mas a interferência negativa vai além. Atinge o paladar, o mecanismo de fome e saciedade, causa irritabilidade, cansaço, fadiga, dores de cabeça e provoca alterações gastrointestinais. Segundo a nutricionista comportamental e gastrônoma, Sophia Andrade, no período de estresse algumas interações intestino-cérebro podem aumentar a permeabilidade intestinal e gerar o desequilíbrio da flora intestinal, causando, por exemplo, a prisão de ventre que é responsável pelo acúmulo de toxinas no corpo. “O uso de probióticos, quando necessário, podem auxiliar nessa questão, assim como os alimentos fermentados”, diz, reforçando que é importante “manter uma alimentação saudável, sem neuras, sem restrições severas e com uma grande variedade de nutrientes”, completa.

Ajustar o consumo de minerais e vitaminas é parte do tratamento. “A serotonina precisa de um nutriente precursor que, no caso, seria um aminoácido essencial chamado triptofano. Podemos encontrar em alimentos integrais, cereais, banana, amêndoas, nozes, caju, sementes de abóbora e de gergelim. Nos vegetais verdes escuros, como brócolis, espinafre, rúcula e bertalha, encontramos as vitaminas b6 e b9, que também auxiliam no processo de síntese de serotonina e da dopamina”, indica Sophia. Os resultados nem são a longo prazo. Com a dieta ajustada em algumas semanas, a promessa de acordar com mais disposição e menos desânimo é a forma mais natural de se blindar contra os problemas.


Alimentação saudável ajuda no controle do estresse

Alimentação saudável ajuda no controle do estresse - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Corpo são, mente sã - Quando os pacientes da jornalista e acupunturista ligada à medicina chinesa, Jamille Coelho, chegam ao seu consultório na Zona Norte do Recife, a maioria não tem noção de que sofre com algum tipo de desnutrição. Não aquela do emagrecimento ou da fome extrema. Mas a que compromete o bom funcionamento de alguns órgãos. É que além de afetar áreas mais conhecidas, ansiedade e estresse atingem pontos como o baço, também responsável por transportar os nutrientes pelo corpo. “É quando você precisa ter atenção com os alimentos muito frios e crus para não afetá-lo ainda mais”, explica.

Para chegar à solução, não basta apenas enxergar a ponta do problema. “As pessoas estão muito imediatistas e querem apenas calar a questão. Imagine, por exemplo, quantas vezes deixamos de beber água porque não tivemos tempo ou simplesmente nos esquecemos. Que rotina é essa?”, completa Jamille. A título de curiosidade, a recomendação é para o consumo mínimo de mais de dois litros de água diariamente. Útil para hidratar, repor sais minerais e reenergizar.

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Se não há tempo de atender uma demanda tão simples e orgânica, imagine conseguir sentar à mesa e comer de maneira consciente, sem a interferência do celular ou barulho da televisão? Quem segue a filosofia macrobiótica, por exemplo, faz da hora da refeição um ato de saúde e espiritualização. “Está vinculada ao estilo de vida oriental, a partir dos mosteiros. Sugere evitar pratos muito volumosos, preferir produtos vegetais e entender a relação tempero e temperatura”, explica o chef Mário Acioli, do restaurante Casa Iaçá, na Encruzilhada.

Com o mote culinária revitalizante, ele, que foi aluno do precurssor da macrobiótica no Brasil, Tomio Kikuchi, prepara cardápios sazonais, a partir de ingredientes disponíveis na feira de orgânicos. Resulta em seis variações diárias, sempre na hora do almoço. A intenção é sugerir paz interior, com o equilíbrio de energias tão distintas quanto yin e yang. “O primeiro surge em alimentos refrescantes, como a salada, enquanto o segundo está mais ligado ao estresse, com maior presença de sal e produtos de origem animal”, diz ele, que desde a década de 1970 é vegetariano e já montou outras casas com esse conceito no Recife e em Olinda. Filosofia que, aliás, acompanha o estilo de vida dos seus seis filhos. “Com quase nenhuma frequência de médico dentro de casa e acesso à farmácia convencional, sempre priorizando o uso de leguminosas, produtos sem glúten e cereais”, resume.

   7 orientações da macrobiótica:

*A alimentação também acontece através dos sentidos: por respiração, visão, audição, boca e tato. Saiba utilizá-los

*Quem busca paz e equilíbrio deve evitar estimulantes, como café, açúcar refinado e pimentas em excesso

* Corpo, mente e energia estão sempre conectados. Quando há deficiência em um deles, tudo se desarmoniza

*Evite se expor aos agrotóxicos, pesticidas e produtos industrializados

* Ser vegano é opcional. Mas a macrobiótica lembra que a morte de animais permeia um tipo de energia que recai sobre o alimento

*O autoconhecimento é essencial para a escolha dos alimentos certos

* Prefira o consumo de vegetais e grãos, como o arroz integral. Este último, um clássico da macrobiótica por conta do seu teor energético e dos seus benefícios nutricionais


Serviços:

Casa Iaçá
Endereço: rua Santana de Castro, 18, Encruzilhada
Informações: 99687.4414

Jamille Coelho
Informações: 99278.4653
Instagram: @jamillecoelho

Sophia Andrade Nutricionista
Informações: 99925.0392
aaInstagram: @sophiaandrade

 

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