Alimentação do brasileiro ainda precisa melhorar

A depender da região, o brasileiro ingere uma quantidade de nutrientes insuficiente para a saúde do corpo

Brasileiro ainda come malBrasileiro ainda come mal - Foto: Arte/Folha de Pernambuco

Não é de se estranhar que a versatilidade gastronômica no Brasil implica em hábitos que afetam diretamente a saúde de cada região. Onde se ingere muito sal, maior a tendência para população com níveis de colesterol alto. Se há exagero no açúcar, aumenta a probabilidade para o diabetes - sem levar em conta questões genéticas e o metabolismo individual.

O Nordeste, por exemplo, embora tenha escapado dos históricos índices de desnutrição, hoje apresenta uma alimentação caracteriza­da pelo alto consumo de sódio, gordu­ra saturada e açúcar refinado, e de­­ficiente em vitaminas, minerais e fibras, o que pode levar ao desenvol­vi­mento de doenças cardiovascu­la­res, diabetes, obesidade, segun­do pesquisa realizada pela ToBeHealth (TBH), a pedido da Quaker. De acor­do com a nutricionista Amanda Ornelas, o Nordeste segue a tendên­cia de aumento de peso e sobrepeso, tal como acontece em todo o Brasil. “A gente entende que esse é um momento importante de demonstrar esse panorama para a população local e criar uma conscientização para reverter este quadro. E ter dados que sejam locais é de grande importância para ver que muitas das doenças que estão acometendo a população estão ligadas a fatores alimentares”, comenta. No Recife, 23,6% das pessoas sofrem de altas taxas de colesterol ou gorduras na corrente sanguínea, ainda segundo o levantamento.

“Foi realizada uma pesquisa no IBGE onde a região que come menos frutas, legumes e verduras é a região Sul, com idade entre 20 e 50 anos de classe A e B que, por sua vez, há elevado índice de câncer de cólon e doenças coronarianas devido ao excesso de consumo de carne vermelha, o famoso churrasco”, aponta a nutricionista Munique Gomes. Para ela, também são impulsionadores os dias agitados, a alimentação rápida e desregrada. Quando ques­tionados sobre a disposição em mudar pequenos hábitos e situa­ções no dia a dia para ter mais saúde e bem-estar, 40% dos sulistas con­sideram-se dispostos, porém acham difícil botar o plano em prática. “Em seguida, a população do Nor­te e Centro oeste, com 37% e o Sudeste, com 31%. A região Nordes­te foi considerada a mais interessada em caprichar na alimentação: 70% afirmaram estarem dispostos”, completa a especialista.

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Hábitos gerais
Na busca por praticidade, o brasileiro vem abrindo espaço aos alimentos industrializados. De acordo com a nutricionista Helen Lima, geralmente são produtos ricos em carboidratos que, às vezes, não são facilmente identificados num rótulo, a exemplo de embutidos e bebidas lácteas. “Os chamados ultraprocessados melhoram a textura e o sabor desses itens, introduzindo elementos como o amido, dentro do que é permitido na legislação brasileira”, afirma.

Outro ponto curioso é o PF do bra­sileiro, a exemplo do que é consumido ao redor de mercados e feiras públicas. “Nessa composição há um desequilíbrio enorme, favorecendo uma dieta rica em carboidra­to. Afinal, temos feijão e arroz, que embora juntos sejam benéficos, possuem carboidratos e não ficam sozinhos no cardápio. Existe a presença do macarrão, um alimento industrializado com quase nenhuma fibra, ainda combinado com a fa­rinha de mandioca e a baixa quantidade de salada crua”, diz He­len, ao lembrar que a o prato ideal tem 50% de vegetais e os de­mais itens disso.

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