Bares e restaurantes garantem boa procedência dos frutos do mar

Estabelecimentos pernambucanos avisam aos seus clientes qual a procedência de peixes, moluscos e crustáceos no cardápio

Peixe frescoPeixe fresco - Foto: Arthur Mota / Folha de Pernambuco

Para acalmar a população atenta ao óleo no litoral nordestino, bares e restaurantes do Recife e Região Metropolitana estão divulgando em suas redes sociais a origem dos pescados disponíveis nos seus cardápios. Segundo a maioria, boa parte dos peixes e crustáceos em estoque não oferece risco à saúde por terem origem certificada em viveiros fora das áreas atingidas pela mancha. 

De acordo com o presidente estadual da Associação brasileira de Bares e Restaurantes de Pernambuco (Abrasel), André Araújo, pelo menos 95% dos camarões oferecidos nos principais estabelecimentos vêm de produtores do Rio Grande do Norte, que usam barreiras de proteção para controlar o desenvolvimento do animal. “Mas, para não haver qualquer dúvida, o cliente pode perguntar no próprio restaurante qual a origem dos seus frutos do mar", sugere.  Em Pernambuco, cerca de sete mil estabelecimentos estão registrados. Desse total, mais de cinco mil estão no Recife e RM.

A depender do peixe, o fornecedor tende a variar. Segundo o chef Alcindo Queiroz, no seu Patuá, em Olinda, itens como lagosta, mexilhão, lula e polvo vêm das grandes indústrias do mercado, alojadas fora do litoral pernambucano, que garantem o selo de qualidade para consumo, garantido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Por outro lado, a compra de sururu e marisco, adquiridos de produtores locais, está suspensa. Até lá, a casa conta com o estoque previsto até janeiro. A cautela leva em consideração a espera por informações oficiais do Governo sobre o consumo desses produtos em áreas afetadas.

Em uma de suas entrevistas, o vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo, disse que até a extensão dos danos ser confirmada, a orientação é evitar comer produtos como ostras e mariscos. “A gente precisa ter mais dados científicos sobre isso, mas a princípio eu recomendaria que a gente evitasse nos próximos dias”, ressaltou. Quando o assunto é ostra, o molusco de concha rígida é preocupação antiga das casas pernambucanas, uma vez que ele funciona como um purificador natural da água, podendo acumular impurezas. Nos restaurantes Chiwake e Chicama, por exemplo, ostras e lambretas são de uma empresa potiguar, que faz a depuração em viveiro. “Além disso, nossos peixes camurim e robalo vêm de Belém do Pará. Enquanto lagosta e polvo vêm de Fortaleza e a tilápia de Paulo Afonso, na Bahia. E todos certificados. Gostaríamos de trabalhar com produtores locais, mas o volume é muito grande e muitos não conseguem dar conta”, completa.

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No restaurante Camarão na Fazenda, em Casa Forte, o empresário Alessandro Saldanha diz que o cultivo do seu camarão não acontece no mar. “Estão em estuários, nas região de mangue, próximos aos rios que desaguam no mar”, explica. Ainda segundo ele, no geral, a pesca local está pouco viável no mercado pernambucano. “Em relação aos pescados, a gente tem algumas classes. Os de cultivo, na maioria água doce, como tilápia, pintado e surubim, estão livres, assim como os pescados de alto mar, que podem ser consumidos com segurança, como meca, dourado e atum. Esses não terão contato com o óleo, se comparado com peixes costeiros de corais, como cioba, robalo e serigado”, destaca.


Mais avisos

No Instagram, os avisos acontecem a todo instante. O Cia do Chopp e Cantinho do Tony, em Boa Viagem, anunciaram que o salmão, como a maioria das casas pernambucanas, vem do Chile, o bacalhau da Noruega, a pescada amarela do Norte do país e as sardinhas de Portugal. O chef André Saburó, através do grupo Quina do Futuro, formado pelos restaurantes Sumô, Sushi Yoshi, Tokyo´s e Taberna Japonesa Quina do Futuro, apontou que a pesca oceânica acontece a mais de 700km de distância da costa, em local livre de contaminação. Nas suas casas, Saburó usa salmão do Chile, lula da Espanha, ovas de massago e enguia dos Estados Unidos e vieiras do Canadá.

O Guaiamum Gigante destacou que seus produtos, incluindo a carne de caranguejo, vêm do Norte do País. O Camarada Camarão comunicou que seu crustáceo vem de fazendas de cultivo de água salgada não afetadas pelo óleo. O peixe badejo, bastante consumido no restaurante, por exemplo, é pescado na Nova Zelândia. O Nori Box Temakeria, instalado na Caxangá, esclareceu que a origem dos seus pescados é de lugares como Amapá, Rio Grande do Sul, litoral catarinense, China e Alaska. 

O Grupo Donatário reforçou que seus frutos do mar possuem o selo de procedência emitido pelo Ministério da Agricultura. O mesmo anunciado pela chef Danielle Johnnei em sua Trattoria DaDani, em Casa Amarela. Já o Armazém Centenário, no Espinheiro, resolveu suspender o abastecimento do seu caranguejo até os órgãos competentes garantirem esse tipo de consumo. O Aika Sushi, no Pina, informou que polvo, peixe prego e salmão são importados. Enquanto camarão, atum e kani são fornecidos por grandes empresas da indústria.

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