Benefício que vai para o lixo

As cascas das frutas, legumes e verduras reúnem nutrientes tão importantes quanto no alimento em si. Saiba utilizá-las

Comida que vai para o lixoComida que vai para o lixo - Foto: Arte FolhaPE

Controlar o desperdício é uma recomendação que nunca sai de moda. Ainda mais quando hábitos de descarte insistem em rondar a cozinha, levando para o lixo restos de cascas, sementes, talos e folhas que poderiam ser mais bem aproveitados em receitas do dia a dia. A prova de que o tema, embora recorrente, ainda resulte em números preocupantes está no fato de o Brasil figurar entre os dez países que mais perdem alimentos em toda sua cadeia, da colheita ao preparo num balcão, desperdiçando 41 mil toneladas por ano, segundo o último levantamento do World Resources Institute (WRI) Brasil.

Na prática, significa que continuamos a escantear partes valiosas da comida onde, em alguns casos, está concentrada até 40 vezes mais nutrientes do que na própria fruta, verdura ou legume. E se esse ingrediente for típico do Nordeste e utilizado no auge da sua estação de colheita, é possível aproveitar ao máximo dos seus benefícios nutricionais. Um prato cheio em prol à saúde e à preservação ambiental, que motivou a dissertação de mestrado da pós-graduação em ciência e tecnologia de alimentos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em 2015, da nutricionista Helen Lima. “O tema foi o uso do resíduo feito a partir da casca de seriguela, em substituição da farinha de trigo, na elaboração de pão de forma, em que eu trouxe todos os benefícios advindos dessa casca com grande quantidade de vitamina C, sais minerais e fibras”, explica. Sobre este último elemento, ela reforça que, em um simples pedaço de pão de 100g era possível encontrar 5g de fibra - uma quantidade considerável para completar a cota do dia, quando ingerido até quatro fatias.

“De modo geral, se estamos falando em cascas, elas sempre serão ricas em fibras, e isso é muito importante no que diz respeito ao bom funcionamento intestinal. Além do mais, elas também ajudam a regular o nível de glicemia, que é o açúcar no sangue, e a controlar o colesterol ruim”, detalha a nutricionista. Quando o assunto é sementes, boa parte é fonte de sais minerais, cálcio, ferro, magnésio, selênio e, a depender do alimento, reúnem muitos desses nutrientes de uma só vez. Para ter uma ideia de alguns reaproveitamentos benéficos, resquícios de jerimum, cenoura, manga e mamão têm alto teor de betacaroteno, um antioxidante importante para evitar câncer, retardar o envelhecimento, entre outros benefícios. Já as folhas da cenoura, tão descartadas no uso comum, são ricas em vitamina A e podem ser aproveitadas em caldos e saladas.

Manuseio
Mas antes de sair guardando aleatoriamente as sobras da sua feira, saiba que a melhor forma de começar a conservar resíduos é fazer uma boa limpeza dessas partes que, facilmente, iriam para o lixo. “Você pode triturar, por exemplo, cascas de maracujá, seriguela e a parte branca da laranja. Depois secá-las em forno e guardá-las em recipientes de vidro que podem ser refrigerados. Caso não, o uso precisa ser em um curto espaço de tempo, entre 15 e 30 dias”, diz Helen Lima, que ainda sugere utilizar essa espécie de ‘farinha em pó’ nutritiva para enriquecer sucos, vitaminas ou até por cima de uma fruta na hora do lanche.

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