Centro de Inovação Tecnológica é a Disneylândia dos cervejeiros
Estrutura da Cervejaria Ambev, no Rio, promete novas possibilidades de consumo da bebida
Qual mestre cervejeiro não adoraria ter uma fábrica inteira para testes e criações em torno da bebida? Pois é rotina de pelo menos dez profissionais da área, no recém-inaugurado Centro de Inovação Tecnológica da Cervejaria Ambev, instalado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Zona Norte da capital fluminense. Mensalmente, o time realiza, no mínimo, 40 sessões de degustações para análises de sabor, aroma e estilo num lugar com mais de 15 mil metros quadrados e a clara intenção de descobrir novas possibilidades de consumo.
Desde o início do ano, quando começou a operar por etapas, o CIT conseguiu apresentar duas novidades que já estão nas prateleiras e, sem dar detalhes, a equipe prevê outros lançamentos já nos próximos meses. As primeiras a saírem de lá em tão pouco tempo foram as cervejas Serrana e Skol Hops. A última, inclusive, foi apresentada inicialmente ao mercado nordestino, há quase dois meses. “Porque essa é uma região que vem consumindo cada vez mais e se abrindo para as novidades de cerveja. A Hops é puro malte com blend de quatro tipos de lúpulo e que não deixa de lado a leveza já conhecida na Skol”, diz a mestre cervejeira da Cervejaria Ambev Laura Aguiar.
À primeira vista, pode parecer uma tentativa de ganhar um mercado que só cresce: o da cerveja artesanal. “Mas não é bem por aí. O que seria dizer artesanal dentro de uma fábrica com produção em larga escala? O conceito é diferente. A intenção é mesmo oferecer novas possibilidades e atender outros paladares. Tanto que não criamos um rótulo novo. Ainda é a Skol, com toda a informação que conhecemos”, reforça Aguiar.
Inovações- Embora não seja uma estrutura voltada para distribuição e, sim, para as inovações que abastecerão todo o mercado da América Latina, o lugar tem o mesmo maquinário indispensável para as etapas de produção convencional. A água, por exemplo, compõe 90% da cerveja e, por essa importância, ela recebe o tratamento necessário para as receitas. “Porque isso influencia na característica da cerveja e esse cuidado garante que tenhamos a mesma água em qualquer região”, explica Aguiar.
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Cozinhar com bebida alcoólica exige técnica
Na linha de produção, a maltaria trabalha com variedades de tipos de torra. Já os tanques de fermentação e maturação se tornam indispensáveis nas etapas intermediárias, tal como a área de filtração. Mas é numa sala menor onde a mágica parece acontecer. O laboratório de prototipagem dá vida à boa parte das invencionices, seja uma embalagem mais sustentável, um rótulo atrativo ou uma bebida surpreendente. Segundo o diretor do CIT, Daniel Baumann, já há algo parecido no Centro de Inovação Global, na Bélgica, mas aqui estão os equipamentos completos de criação.

