Mercado

Cerveja para tomar em casa ou no bar?

O mercado cervejeiro resiste aos desafios da pandemia com novos atrativos

Produção teve queda durante a pandemiaProdução teve queda durante a pandemia - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco
Para uma bebida que acompanha tantas mudanças de mundo ao longo de dois séculos, enfrentar uma pande­mia até parece desafio simples. Entre malte, lúpulo e levedura está o registro de um produto adaptável e altamente ligado à qualquer tipo de celebração. Ainda assim, na escassez de festa, aglomeração e até razões pa­ra comemorar, o que fica nas mãos do consumidor nesse período, a começar por um mês tão importante para o mercado cervejeiro quanto agosto - quando se iniciam vários eventos relacionados ao setor?  
 
Por se tratar da época mais quente do ano no Hemisfério Norte, este mês inclui não só o Dia Internacional da Cerveja, na primeira sexta-feira, como abre a temporada de festivais ao redor do mundo, com agendas alteradas. Para uma época nada fácil, a bebida já atravessou movimentos como o de repressão ao consumo de álcool, entre o final do século 19 e início do século 20, ao longo da Europa, além da lei seca instalada nos Estados Unidos. Depois de crise na indústria, repressões religiosas e até escassez de matéria-prima, houve a moderação de consumo e, finalmente em tempos mais recentes, o entendimento comercial em torno de um produto cada vez mais ligado à experiência.
 

 
Aliás, viver experiência numa mesa de bar ou restaurante era o contexto de ordem até o mês de março no Brasil, antes de o novo coronavírus ditar novas regras. De um mercado em forte expansão, com crescimento de 35% em 2019, se comparado ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), houve a restrição de acesso ao produto, que resultou na queda inevitável de consumo. Para a fábrica de bebidas Räye, significou a parada temporária na produção de cervejas. “Esse produto hoje segue algumas restrições no mercado pandemico para bebidas alcoolicas. No entanto, nossa vertente é fabricar também suco e refrigerante artesanal, tendo um conceito de bebidas mais abrangente”, explica o sócio-diretor Pedro Baltar.
 
Para a cervejaria Babylon, a baixa foi de 90% das vendas da fábrica. “Nosso mercado era mais de chope nos estabelecimentos. As cervejarias que tinham abertura em supermercados conseguiram se manter. A retoma anda lenta, mas já melhorou”, resume o mestre cervejeiro da empresa pernambucana e sommelier, Filipe Magalhães. 
 
O que vem pela frente   
Ainda no exemplo da Babylon, a saída tem sido buscar parceiros que ajudem a oferecer promoções e fortalecer cada vez mais a venda estratégica. “Acho que o público está caçando mesmo promoção, seja no delivery, no supermercado ou nos bares. Enquanto a economia não voltar a girar, o consumidor vai ter medo de gastar”, pondera Filipe.
 
Embora a variedade de estilos ainda assuste os mais leigos, rótulos que estampam Ipa, lager, witibier e tantas outras opções com aroma e sabor específicos, seguem na preferência de quem não quer saber de produção comum. Segundo a sommèliere e consultora Chiara Rêgo Barros, as cervejas especiais ainda formam um mercado em aberto, com presença tímida de 3%. “Então ainda há muito a se explorar. Acho que o ponto mais importante agora é o atendimento, não o produto em si. Ter agilidade, dicas de consumo, kits degustação, além de combo de cerveja e o prato harmonizado”, defende.
 
Ainda de acordo com a especialis­ta, quem já comprava atento a carac­terísticas tão específicas, continuará apostando na produção artesanal, porque já sabe o que está levan­do. “Agora, precisamos explorar quem está fora disso. As pessoas passaram a se arriscar mais na cozinha, na bebida e no novo”, completa.
 
Transformações 
Para a coordenadora do núcleo de diversidade da Abracerva, Nadhine França, algumas mudanças já eram experimentadas antes da pandemia, como o fortalecimento do delivery. “As pessoas estão consumindo os produtos das empresas que se comunicam com elas. Essa humanização das marcas, que também era uma tendência, ficou muito mais evidente. Por isso, o consumo pós-pandemia deve continuar com esse tipo de consciência, procurando ligação afetiva com as marcas que se mostraram responsáveis e preocupadas com a sociedade no momento de crise”, diz.  Essa proximidade das cervejarias com o cliente final também implica em troca de conhecimento, falar sobre como é o processo, explicar estilos, escolas cervejeiras e até abordar o cuidado que existe na produção de uma bebida artesanal, desde o recebimento dos seus insumos até o serviço. “Um vínculo que, na minha opinião, não tem caminho de volta”, ressalta Nadhine.
 
Na cartilha da cervejaria Ekäut, por exemplo, está a aceleração digital, que era um projeto para dois anos, o foco no delivery e a oferta de franquia. Para o líder de experiências cervejeiras da marca, Raphael Vasconcelos essa é uma fase de estabilização e que só fica quem investir na relação com o público, no mix de produtos e qualidade, além, claro, de fechar boas parcerias por esse caminho.

Algumas curiosidades
(Com informações da cervejaria Dádiva)
 
Cerveja  muito gelada prejudica a degustação?
Esse hábito torna os aromas da bebida menos voláteis e, por isso, menos perceptíveis
 
Qual a temperatura ideal?
Varia conforme o estilo. Mas nunca abaixo de 0°C -,  alguns apenas resfriados
 
Lata é mais sustentável do que vidro?
A consultoria internacional de sustentabilidade Resource Recycling Systems constatou que a lata de alumínio é a embalagem mais sustentável e com maior índice de reciclagem do mundo 
 
Mas quem preserva melhor a temperatura?
O alumínio costuma manter a cerveja mais fresca
 
O tipo de copo influencia?
Pode influenciar, inclusive, na retenção de espuma da cerveja e nos aromas 

Delivery de cerveja
 
Ekäut em casa
Site: ekautemcasa.com.br
Instagram: @ekautemcasa
 
Babylon
Instagram e pedidos: @babylon.station
 
Debron
Instagram e Pedidos: @debronbier
cerveja Duvália
 
WhatsApp: 98121.9343
Instagram: @cervejaduvalia

Eventos cervejeiros
Batalha de Sommeliers
(concurso de harmonização de cerveja)
Período: segue até novembro
Instagram: @batalhadesommeliers
 
Slow Brew Nordeste
(Feira de cervejas artesanais)
Dia: 28/11
Site: slowbrewnordeste.com.br/festival/programacao-2020
 
Mundial de la Bière
(que acontece em setembro)
Dias: 18 a 22/11
Site: mondialdelabiererio.com
 
Oktoberfest Blumenau
(cancelado)

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