Chef Eric Ripert reabre restaurante em NY para ajudar profissionais da saúde

Na sua chamada cozinha de crise, aberta de segunda a sexta-feira, estão quatro de seus 180 funcionários, na produção de refeições solidárias

Chef Eric RipertChef Eric Ripert - Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP

O restaurante Le Bernardin em Manhattan é considerado um dos melhores de peixe do mundo. Porém, na era do coronavírus, os funcionários se ocupam em encher recipientes de plástico com frango, arroz e couve-flor, para distribuir a médicos e enfermeiros.

Na quarta-feira, o chef francês Eric Ripert, com três estrelas Michelin no guia de Nova York desde sua primeira edição em 2005, reabriu pela primeira vez desde 13 de março uma de suas cozinhas em seu restaurante no distrito financeiro de Manhattan.

Há semanas preparava este projeto, apoiado pela associação de caridade World Central Kitchen - fundada pelo chef espanhol José Andrés - e outras empresas. A partir de agora, e potencialmente até a reabertura do restaurante prevista para setembro, esta cozinha de crise é ocupada de segunda a sexta-feira por quatro de seus 180 funcionários.

Eles preparam cerca de 400 pratos diariamente, destinados ao pessoal médico que veio a Nova York de outros estados do país como reforço e que estão instalados em hotéis do bairro. "Agora, o importante é ajudar a comunidade em geral, e especificamente os médicos e enfermeiros", diz Ripert, de 55 anos.

"Nosso objetivo é fazer bem o nosso trabalho, para que as pessoas que correm grandes riscos, que veem coisas terríveis durante o dia de trabalho, quando retornam ao hotel, possam descansar um pouco no quarto e comer algo que seja muito bom", acrescenta. O cardápio para as próximas duas semanas já foi escolhido: arroz, frango e couve-flor nesta quinta-feira, depois macarrão à bolonhesa e brócolis na sexta-feira. Também haverá cuscuz, bolo de carne, tagine... Sempre uma proteína com legumes e "algo consistente" como macarrão ou arroz, disse.

Embora a pandemia esteja desacelerando na capital econômica dos EUA, Nova York continua sendo o epicentro da crise no país, com quase 20.000 mortes confirmadas ou prováveis pelo vírus, e ainda não há data para o fim do confinamento.

As estrelas, "não essenciais"

No entanto, apesar da falta de informações sobre uma possível reabertura, Ripert não pode deixar de sonhar com Le Bernardin pós-pandemia. Embora não considere revolucionar seu modelo, como alguns chefs franceses que agora concebem pratos sofisticados para entrega em domicílio, "definitivamente não será o mesmo Bernardin que antes do fechamento", diz.

"O Bernardin era um restaurante de luxo, com três estrelas Michelin, tentaremos continuar criando essa experiência para os clientes", afirma. Será necessário ter mais espaço entre as mesas e reduzir o número de clientes. E, trabalhar com máscaras, luvas e muitos produtos desinfetantes, ressalta.

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Mas esse co-proprietário acostumado a ver seu restaurante cheio para almoço e jantar ainda não resolveu a equação econômica. Ripert, que desde o início da epidemia publica receitas muito simples e baratas para seus 600.000 seguidores no Instagram, não quer revelar sua contabilidade. Porém, antes da crise, empregava 180 pessoas e agora planeja reabrir "talvez com 40 ou 50 funcionários".

A clientela internacional, que representava de "30 a 40%" do total, vai desaparecer, pelo menos enquanto as viagens internacionais forem desencorajadas. "Não sei se teremos muitos clientes de outros estados do país" ou "se os nova-iorquinos vão querer sair e se sentir confortáveis e seguros em um restaurante", pondera.

Será que recuperará suas estrelas?

"Faremos o nosso melhor, trabalharemos para fazer os clientes felizes, para que nossos funcionários possam ter um emprego", explica. "Então as estrelas virão, ou não. Hoje não é o essencial, quando pensamos que estamos passando por uma crise mundial".

Mas ele não duvida da capacidade de sua cidade adotiva em se recuperar. "Nova York sempre será Nova York, e Nova York retornará ao nível anterior" com a "constante criatividade e energia" que a caracterizam, acredita.


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