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Comer na rua? Saiba como fazer a escolha certa no Carnaval

Nem sempre a facilidade de petiscar algo a caminho do Carnaval significa que você está seguro de contaminações alimentares. Para ninguém perder a festa mais esperada do ano, especialistas ensinam como fazer uma escolha sem comprometer a saúde

Espetinho é hit carnavalesco de todos os anosEspetinho é hit carnavalesco de todos os anos - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

No Carnaval de rua a cena se repete. É muita festa para pouco tempo de alimentação. Tome frevo, passinho, cerveja e calor. Chega na barraca da tia e vai pedindo um salgado, devora ele e sai no corredor do próximo bloco. A essa altura, cadê os amigos? Quando o celular não pega, é vida que segue. Nem as pernas obedecem mais, menos ainda o bom senso para comer bem. No final da rua, aquela barraca minúscula de espetinho solta a fumaça que te faz lembrar da fome. O barulho da orquestra era tão grande que nem deu para ouvir a barriga avisar. “Um de carne e outro de frango”, diz o folião até a próxima chance de parar novamente.

Se você é assim, já entendeu que comer na rua nesses dias de agito é questão de oportunidade. É como se a primeira parada salvasse o rolê. Só que muito além de aparência ‘ok’ e preço também ‘ok’, está o cuidado de escolher o lugar e a comida de olho nas condições saudáveis para o consumo. É na hora desse discernimento que mora o perigo. Segundo a nutricionista especialista no controle de qualidade dos alimentos, Gersica Silva, a falta de alguns procedimentos básicos acende o alerta para itens populares no cardápio fora de casa, como tortas e pastéis recheados com frango, salgados fritos, coxinha e cachorro-quente. “O risco está na manipulação inadequada e na quantidade de mistura de ingredientes, que resultam em um potencial risco de contaminação diante das práticas higiênico-sanitária, tornando-os fontes de toxinfecções alimentares”, aponta.

Observe o local
Tudo começa pela estrutura onde acontece o manuseio do alimento. E vamos combinar que esse ponto não é difícil de notar. Muito lixo ao redor da barraca, presença de moscas e até sujeira no balcão devem declinar a tentativa de compra na hora. “Também se certifique se há disponibilidade de água potável para o uso do manipulador ambulante”, aconselha Gersica Silva ao lembrar a necessidade de ter água de qualidade no ambiente.

No entanto, os pequenos comerciantes não podem cozinhar em local aberto. “Eles devem fazer o mínimo de finalização no local, utilizando, por exemplo, frutas e verdurinhas já porcionadas em recipientes tampados e salgados, como pastel e coxinha, já recheados na estrutura de cozinha convencional”, adianta a chefe do setor de Controle de Alimentos da Vigilância Sanitária do Recife, Cristiane Gomes.

O órgão, aliás, capacitou para este Carnaval 350 empreendedores na Capital pernambucana, reforçando orientações como a higiene da comida e a do próprio vendedor, que deve utilizar touca e luva. Esses comerciantes estão distribuídos nos principais polos de folia. “E seguiremos de plantão até a terça-feira, com estande da Vigilância Sanitária montado no Bairro do Recife, onde é possível dar maiores informações ao público e até receber denúncias de irregularidades”, reforça Gomes.

Observe a temperatura do charque que vai na macaxeira

Observe a temperatura do charque que vai na macaxeira - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco


De olho na temperatura
O espetinho nosso de todo Carnaval não deve ser consumido em temperatura ambiente. As bactérias adoram isso. Seja de carne, frango ou queijo, ele deve ser assado momentos antes do consumo, pois certamente estava exposto há algum tempo. Aliás, carnes e frios de um modo geral precisam dessa atenção, porque tendem a estragar rapidamente. Quanto mais tempo parado ao ar livre, maior a chance de contaminação.

O mesmo vale para os salgados recheados e, claro, a salsicha que vai no cachorro-quente. Essa última, não pode esfriar, assim como a carne moída. “O armazenamento errado desses produtos, que muita gente prefere mal assado, só aumenta os riscos de contaminação pela Staphylococcus SP e Salmonella sp. Staphylococcus aureus, como bactérias patogênicas para o homem”, resume Gersica Silva.

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Selo e validade
Na dúvida se a carne é, de fato, bovina? A sugestão é pedir a embalagem do produto, que precisa ter o selo de qualidade para consumo, garantido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ainda de acordo com a Vigilância Sanitária, esse é um alimento que deve ser adquirido da grande indústria e não feito de maneira artesanal.

Os ambulantes, inclusive, são orientados a não descartar esse tipo de embalagem, como já acontece com o gelo usado para os drinques - valendo a prática da lei estadual de 2016, que proíbe o comércio de gelo sem selo de qualidade. Isso acontece porque o congelamento não é suficiente para eliminar todos os possíveis micro-organismos, devendo ser feito com água tratada e manuseio supervisionado. Uma informação tão valiosa quanto a validade de qualquer ingrediente.

O perigo está no molho?
Também é proibido o armazenamento de molhos, como mostarda, maionese e catchup naquelas bisnagas de plástico comuns em lanchonetes de bairro. As razões são muitas. De acordo com nutricionistas, além de a embalagem ficar exposta sem refrigeração adequada, não se sabe a procedência exata do molho. No caso, só é bem-vindo o bom e velho sachê, e isso vale também para o shoyu.

Fuja dessa cena
Não esqueça de observar as condições que fogem do padrão do alimento, seja por uma aparência duvidosa, um cheiro ruim ou mesmo coloração estranha. Sendo assim, sucos naturais caseiros devem estampar rótulo com informação de fabricação e prazo de validade. O mesmo vale para bolo caseiro e sanduíche natural - mas lembra que nesta opção ele deve estar corretamente refrigerado?

 

 

 

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