Conheça as apostas gastronômicas para 2019

O próximo ano promete trazer poucas surpresas ao mercado local. Por outro lado, o que já vem sendo discutido nas cozinhas de todo o mundo recai sobre os recifenses na forma de ajustes operacionais

Bao ente as apostas do anoBao ente as apostas do ano - Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

O ano passou com a velocidade de um maratonista e, ainda assim, anotamos movimentos gastronômicos importantes. As prateleiras foram abastecidas pelos alimentos fermentados, a mesa foi posta com comida simples, porém com técnica, e os salões de bares, restaurantes e cafeterias frequentados por consumidores mais conscientes. Contexto marcante, que já aponta algumas inclinações para 2019. Quer saber qual prato promete sair mais e como será o formato das novas casas, por exemplo? As respostas por quem lida com o mercado local de olho na atuação além das fronteiras.


O bao vem aí
O pão chinês cozido no vapor, chamado bun ou bao, ainda é novidade para alguns. Mas, no Recife, pelo menos três casas servem a pedida que promete conquistar seu lugar ao sol do Nordeste. A massa tem sabor suave e textura macia, podendo ser recheada com o que quiser. Um prato simples com ares de comida universal, que há tempos aparece nos indícios do relatório anual da consultoria americana de alimentos e restaurantes Baum+Whiteman, que reforça esse alimento co­mo parte do movimento gastronô­mico asiático ao redor do mundo.


Menos é mais
O chef de cozinha Joca Pontes, dos restaurantes Villa, Ponte Nova e Bercy Village, diz que simplificar as receitas é um movimento sem volta. “O cliente anda cansado de muita informação no prato. Cada vez mais, ele prefere algo simples, porém bem feito e de qualidade, sem toda aquela pompa antiga em torno do serviço”, resume. Ainda segundo o chef, nesse contexto os dois lados acabam ganhando. “Tanto o restaurante, que dessa forma acaba enxugando a operação, quanto o cliente que vai se servir daquilo que ele realmente procura”, completa.


Serviço enxuto
Ainda de acordo com a Baum + Whiteman, o desafio dos restaurantes no próximo ano será fazer a conta fechar. Nos Estados Unidos, o aumento no preço dos menus, como forma de aumentar a receita, tem esvaziado os salões. Sendo assim, a lacuna entre o custo de um cardápio para uma refeição feita em casa tem levado as pessoas a jantarem cada vez mais em família. Prática já natural entre os jovens millennials, cujo levantamento aponta que eles realmente não têm medo de ir ao supermercado e cozinhar.

Por outro lado, as novas casas já estão apresentando serviços mais compatíveis de serviço. A Baum + Whiteman lembra que em lugares como São Francisco em Nova York está cada vez mais fácil achar lugares em toalha de mesa, sem garçons, sem jantares prolongados, sem reservas e com chef que realmente cozinha produtos de alto nível. Muitas vezes um bar com drinques exclusivos, serviços de balcão e, no geral, uma personalidade instigante.

Jêmede Valença, Joca Pontes e Gio Simões

Jêmede Valença, Joca Pontes e Gio Simões - Crédito: Divulgação


Cardápio de comidinhas
Ainda na onda da praticidade, o próximo ano abrirá caminho para as chamadas comidinhas. Eles, que já estão ganhando ares de prato principal, prometem ser carro-chefe de muito empreendimento novo por aí, segundo a chef de cozinha Gi Nacarato. Ela, que teve passagem por restaurantes como Kinoshita e Mocotó, em São Paulo, os peruanos La Mar e Astrid & Gastón, e Quina do Futuro, no Recife, aposta todas as fichas na dobradinha padaria e café. “Este será o ano de alguns empreendimentos novos, porque as pessoas estão mais esperançosas para o fim da crise, e o contexto dentro de toda essa nova proposta, remete à praticidade das comidinhas”, prevê. Defensora do uso de ingredientes regionais, Gi acrescenta que esse tipo de insumo ainda se manterá tímido na lista de compras de alguns estabelecimentos. “A comida local não virá tão forte, mas embutida na necessidade de se ter baixos custos operacionais”, pondera.

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Carnes premium
Os eventos regados a churrasco, música e cerveja, realizados nos últimos meses no Recife, foram um termômetro positivo para o mercado das boutiques de carnes premium. “Elas vão destoar um pouco dos lugares simples, com foco em comidinhas, para oferecer um serviço especializado a um público crescente”, defende Gi Nacarato. Não à toa, esse comensal já vem se familiarizando com cortes de qualidade, a exemplo de bife ancho, bife de chorizo, wagyu, entre outros listados fora das churrascarias, que são conhecidos pela maciez e marmoreio equilibrado.


Dieta equilibrada
É longe das dietas milagrosas que devemos estar em 2019. Isso porque a tendência da alimentação saudável, conquistada pela reeducação alimentar, parece fazer ainda mais sentido. É o que prevê o nutrólogo Jêmede Valença, a partir do lançamento do livro americano de medicina current, que divulgou estatísticas sobre a importância de atitudes saudáveis na prevenção de doenças crônicas.

“A publicação cita trabalhos estatísticos em que mostra a importância de se tomar medidas que previnem a mortalidade, passando pela nutrição. A tendência é que as pessoas adquiram esse tipo de conhecimento e apliquem no seu dia a dia, através de um conjunto de hábitos”, explica. Na prática, significa um aumento na dieta rica em frutas e verduras que sejam fonte de ácidos poliinsaturados, como o ômega 3 e sua ação antiinflamatória. “Há mais disposição em equilibrar porções, ter uma alimentação variada, ingerir nutrientes básicos e fugir de dietas muito chamativas e espetaculosas, porque elas muitas vezes são midiáticas e que não fazem efeito a longo prazo”, conclui Valença.

 

 

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