Conheça os pratos tradicionais de dezembro

Mesmo sem comprovação lógica, os ingredientes da sorte são pedidas obrigatórias nas festas de final de ano. Em nome da tradição (por que arriscar?), vale encarar itens polêmicos e abrir espaço para uma época de fartura

CastanhaCastanha - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Não há modernidade culinária que abale a tradição na mesa de final de ano. Em dezembro, os pratos típicos da ceia desfilam os símbolos que família nenhuma abre mão de ter no cardápio. Por isso, nada tira do peru o posto de iguaria típica dos grandes banquetes, servido desde a época em que os americanos se fartavam com o bicho assado no Dia de Ação de Graças. Tornou-se padrão nas cozinhas de todo o mundo até a chegada do Réveillon. Data acobertada por superstições ligadas aos ingredientes da sorte. Animal que ande para trás não tem vez. Quem não quer correr riscos e cozinhar atento aos hábitos, eis a chance de rever a lista de compras com as estrelas de toda essa festa.


Polêmicas à vista
A rainha dos memes na internet é também uma protagonista no Natal. A uva-passa, que ao longo do ano move oponentes e fãs, surge controversa para alguns por conta do seu toque doce na farofa, na salada de maionese, no arroz à grega e no salpicão. Hábito que, segundo a história, é registrado desde os banquetes do rei Salomão e os persas, quando já se acreditava que o produto remetia à prosperidade e fartura.

E quando a sorte está em jogo, pouca gente quer arriscar perdê-la. Razão para os pedidos que chegam no bufê Porto Fino esta época não solicitarem mudanças na receita. “Para manter a tradição, nunca me pediram para tirar alguns desses ingredientes. O comum é as pessoas comprarem mais de uma opção para ter a certeza de agradar a todos na hora da ceia. Arroz, por exemplo, sai em mais de uma versão para a mesma encomenda”, diz a banqueteira Rafaela Suassuna, com a expertise de quem atende uma demanda 30% maior em dezembro, se comparada com todos os outros meses do ano.

Ainda segundo Rafaela, muitos clientes também passam por cima da antipatia por frutas cristalizadas. Não à toa, elas continuam imponentes na lista de sobremesas. Em termos de polêmica, a justificativa dos comensais o açúcar elevado e a textura gelatinosa. Mas, para quem não sabe, esse é um processo de conservação datada há séculos no Egito. Chegou tempos depois nas mãos europeias através dos franceses, que cristalizavam as frutinhas com mel. Um método simples, que permite a conservação do produto por anos.

Eles são tradicionais

Eles são tradicionais - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O poder das oleaginosas
Sementes e frutos como amêndoas, castanhas, nozes e avelãs não são itens corriqueiros na mesa brasileira, mas valem por uma tradição que vem da antiguidade. Os gregos de classe rica cobriam o ingrediente de ouro e entregavam como presente decorativo às pessoas mais queridas. Os romanos, por sua vez, acreditavam que a avelã afastava a pobreza, enquanto a noz significava abundância.

Juntar essas referências à preparação de receitas típicas nunca foi algo difícil. Servidas como aperitivos in natura, nas saladas frias, no arroz ou mesmo no bolo é o mesmo que unir essas crenças ao poder nutricional desse grupo de alimentos. Segundo a nutricionista Anna Caroline Torres, a oleaginosa “possui alto teor de fibras que proporcionam maior saciedade. Também é rica em cálcio e ainda ajuda para a não retenção de líquidos”, divulga.


Fruta à vontade
As frutas apareçam decorando as mesas de Natal e Réveillon por remeterem à beleza que todo mundo quer no novo ano. Coloridas e imponentes, elas significam uma vida de intensidade. As que têm caroço, como uva e romã, por exemplo, são as mais procuradas por conta das suas sementes, queridinhas dos supersticiosos, que guardam o caroço ao logo dos próximos 12 meses, em nome da boa sorte.


Na mesa, o clássico

Na lista de encomendas da Panificadora Parla Deli, os clássicos são intocáveis. Leia-se peru (R$ 55,90) e chester (R$ 58,90), verdadeiros campeões de venda na empresa. Este último é o frango melhorado geneticamente com menor teor de gordura e maior porcentagem de proteína. Mas passado o clima natalino, a gerente Chirleide Ribeiro diz que o bacalhau toma conta dos pedidos na loja graças à velha superstição de que na mesa só pode ter animais que andem para frente. Ao lado dele saem petiscos e doces que finalizam o cardápio. “A tradição é forte e ninguém arrisca o contrário”, diz.


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E por falar na virada de ano, a lentilha também é pedida obrigatória em nome da fartura financeira. O grão de origem asiática tem essa relação com a abundância na carteira por conta do formato que mais lembra uma moeda. É também um dos alimentos mais antigos da história e que desde sempre esteve presente na mesa de pobres e ricos.

 

 

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