De comer com as mãos: o sucesso cada vez maior dos sanduíches

O mais pop dos lanches é também o mais versátil de toda a gastronomia. A infinidade de recheios diz o quanto essa pedida tem adeptos que só aumenta ao redor do mundo e faz dessa a melhor pedida de todas as horas

Sanduíche Sanduíche  - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

 

Entre duas fatias de pão po­de tudo. Não há regras. Há, na verdade, o desejo assumido de comer algo com as mãos, sem a menor das preocupações. É como um ritual do descompromisso em que o sanduíche, esse prato com base de carboidrato e recheio de proteína, cumpre o papel de ser eficiente. Às vezes, exagerado, caseiro. Em outras, comedido, gourmet. Independe. Seu preparo é universal e povoa cardápios de todas as partes com o benefício de ser democrático, basta escolher aquele que mais agrada. Assim, de pronto, você saberia escolher qual?

A dúvida certamente deixaria orgulhoso o conde de Sandwich (1718-1792), o inglês John Monagu. Na versão mais pop da história, é dele os louros dessa criação desde o dia em que participava de uma de suas rodadas de carteado e, no vício de se manter no jogo, pediu a um de seus criados que preparasse algo prático, incentivando a criação da iguaria recheada com um embutido. Do improviso que deu certo, não faltou quem se interessasse pela combinação inusitada para a época. Com o tempo, ganhou fama na Inglaterra, Alema­nha, Itália e Estados Unidos, principalmente nas lanchonetes do século 19 onde a pedida saia sem demora. Uma opção e tanto para os trabalhadores da Cidade no auge da Revolução Industrial com pressa de abocanhar uma refeição.

De tantas experiências ao redor do mundo, surge essa infinidade de preparações que, nos dias de hoje, brasileiro nenhum consegue achar defeito. Ainda assim, é preciso lem­­brar o princípio básico do sanduíche, segundo a chef Luciana Sul­tanum, que é ter um pão de qualidade acompanhado por uma carne, queijo ou embutido, a exemplo do popular hambúrguer, americano e cachorro-quente. “Isso sem falar nas combinações regionais com queijo de coalho, ovo ou até carne de sol e charque, que são ingredientes à nossa disposição”, diz ela, que até já experimentou um sanduba à base de foie gras, na França, sinalizando o quanto esse prato pode contar sobre hábitos locais.

A prova disso está no livro “Sanduíches Especiais - Receitas clássicas e contemporâneas”. Para um dos autores, o pesquisador e empresário da área gastronômica, Eduardo Mendel, muitas produções daqui possuem DNA forte de outras culturas. “São sanduíches como o beirute, de influência libanesa, criada por imigrantes, mas de produção brasileira”, conta.

Pa­ra falar dessas misturas nasceu a publicação querendo discutir o te­ma no contexto nacional. Vamos a um exercício: mesmo com referên­cia portuguesa, tem pedida mais brazuca do que o pão francês repleto de um ingrediente tão italiano quanto a mortadela? Pois todos esses costumes formam nossa cozinha.

Inovações
Na busca pelo sanduíche perfeito, a chef Miau Caldas usa de tudo um pouco, desde a época em que fez consultoria para a Pin-Up Burgueria, no Recife, e teve os primeiros contatos com um preparo mais gourmet. Das várias possibilidades, um consenso. “É importante sempre usar ingredientes frescos, nem que seja em um molho com base de ervas. Mas, sendo assim, vai depender de qual é a proposta”, conta.

A apresentação é detalhe que também não pode faltar. Não à toa, Miau assina a capa desta edição de Sabores com pão baguete, feito de fermentação natural por Márcio Sena, incrementado com lombo canadense, pepperoni, queijo do reino, agrião e rúcula. Já os individuais são pães de queijo também com pepperoni e queijo do reino. “O brasileiro adora um bom molho por cima, mas é preciso cuidado para não encharcar o pão, por isso vale colocar num recipiente à parte”, aconselha. O ponto alto vai para uma criação vegana em que o tomate caqui serve de base para um gigante cogumelo Portobello mais rúcula, repolho roxo, agrião, sal e azeite.

Na lógica de que tudo pode ser aprimorado, o empresário e gastrônomo à frente do Dog On The Road, food truck com cinco operações no Recife, Gustavo Veiga, diz que a fabricação própria dos pães para o seu cachorro-quente faz toda a diferença. “Quando monto um sanduíche penso na experiência como um todo, incluindo três elementos principais: um bom pão, uma carne e um queijo, que pode ser substituído por algo crocante”, explica.

Desse formato, surge uma das opções mais pedidas do seu público. O BR 101 leva duas salsichas, molhos de tomate e da casa, vinagrete de milho e batata palha (R$ 12,90). Se o bom apreciador não pode ter receio de se lambuzar, a sugestão evolui para um dog-burguer com pão sedinha, linguiça artesanal bovina (fraldinha) e bastante molho blue cheese (à base de queijo gorgonzola), além de bacon e cebola caramelizada (R$ 18,90). “Importante se permitir e comer à vontade”, conclui.

 

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