Gastronomia

Dia dos Avós: conheça os pratos que trazem histórias afetivas

Profissionais de Gastronomia contam suas referências ligadas a receitas e histórias dos avós

Nhoque é prato afetivo para a chef Carla ChakrianNhoque é prato afetivo para a chef Carla Chakrian - Foto: Divulgação

O Dia dos Avós, no próximo 26 de julho, é uma data cheia de referência afetiva. Criada em homenagem ao dia de Santa Ana e São Joaquim, avós de Jesus Cristo, o período desperta a nostalgia de um tempo tranquilo, que pode vir à mente a partir de um simples prato colocado à mesa. A comida consegue mesmo despertar lembranças da infância ou outros momentos especiais ao longo da vida. 

 

Tudo isso, porque não comemos apenas para absorver nutrientes, mas também socializar com amigos, aproveitar momentos de lazer com familiares até, enfim, desfrutar de cada prazer no pedaço de um bolo ou na garfada de um prato. Esse contexto tem nome ao redor do mundo. Chama-se “Comfort Food”. No sentido literal significa comida que desperta prazer e conforto. É assim na história de quatro profissionais de cozinha que, de alguma forma, usam dessas memórias de bem estar para seus trabalhos na Gastronomia.

Comida de milho

Para o chef do Oficina do Sabor, em Olinda, César Santos, as lembranças mais afetivas estão em Camocim de São Félix, no Interior de Pernambuco. Além de um peixe frito com molho de castanha, sua avó materna, Tata, fazia um cuscuz que ninguém mais conseguia preparar igual.  

“A família plantava milho. Depois colhia e deixava esse milho secar. Ele então era guardado em um quarto, que funcionava como uma dispensa com mel, banana e outras frutas colhidas pelo meu avô. Quando chegava de noite, minha tia ia nesse quarto, pegava a espiga de milho seca, colocava de molho, depois ralava e fazia um cuscuz maravilhoso. O cheiro desse cuscuz, e com o leite da vaca fervendo, era um café da manhã especial”, conta.

Cozinha Árabe

Quando a chef Carla Chackrian, do Restaurante No Terraço, na Madalena, pensa em comida afetiva, ela volta aos seus cinco anos de idade quando, em São Paulo, seu avô materno Eduardo Chakrian preparava uma receita árabe. 

“A gente tem muito dessa questão da culinária árabe, com destaque para um único prato que ele costumava fazer. Tão marcante que, quando preparamos em casa, já pede uma reunião familiar. Dá um trabalho, faz uma sujeira danada, mas todo mundo ama e lembra. E foi um dos pratos em comemoração ao meu casamento e comemoração ao casamento da minha irmã. É o nhoque de batata com molho bolonhesa, que é impressionante”, destaca.

Tantas lembranças surgem à mente porque a comida “está ligada ao nosso cotidiano, sendo um momento de comunhão com nós mesmos e com a família. Como nas festividades e seus quitutes típicos que só comemos nessas datas”, justifica o chef Leandro Ricardo, antes de revisitar os momentos à mesa com sua avó paterna Maria Jorge - quem o criou.

“Ela tinha diabetes nos anos 1980. Então, a comida que ela comia, que seria a dieta dela me atraia muito mais, por eu ser uma criança. Eu ficava pidão, espreitando a mesa e pedindo banana cumprida e outras coisas especiais, pensadas para pessoas diabéticas. E que, na verdade, são coisas gostosas”, resume.

Sabor de infância

Nascida em Ribeirão Preto, São Paulo, e com parte da infância vivida em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, a chef Gi Nacarato, consultora do grupo Quina do Futuro, no Recife, tem bases afetivas marcantes. “Para mim, a comida de vó tem relação com cuidado. A forma de fazer, de servir e do momento! Quando estamos felizes, tristes, doentes, nas festas... sempre tem um detalhe”, adianta.

“Lembro muito a macarronada com croquete, que ela fazia nos domingos para a família toda. Era um croquete de carne, feito um a um, em que ela fritava e escondia uns no forno para comermos antes do almoço”, Lembra Gi, apontando a receita da avó materna Philomena, em Ribeirão Preto.  

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