Experiências resgatam a essência da produção de alimentos

A volta ao contato direto com ingredientes frescos e de procedência certificada hasteia a bandeira da alimentação saudável pela isenção de conservantes, aditivos e outros elementos químicos

João Paulo se reuniu com profissionais da área de saúde do RecifeJoão Paulo se reuniu com profissionais da área de saúde do Recife - Foto: Társio Alves/Divulgação

Entre tantas experiências assumidas hoje pela gastronomia, uma parece querer resgatar a essência da produção, aquela que envolve apenas o homem e a natureza. A volta ao contato direto com ingredientes frescos e de procedência certificada hasteia a bandeira da alimentação saudável pela isenção de conservantes, aditivos e outros elementos químicos tão discutidos, e discutíveis, entre consumidores e indústria em geral. De fato, os tempos são outros e as ofertas também.

A frase é um clichê, mas ainda não emplacou de forma cotidiana na maioria das mesas brasileiras. Comer comida de verdade faz um bem danado à saúde. Falamos não somente do consumo de legumes e frutas de cultura orgânica, falamos de ir deixando de lado os supérfluos industrializados quando se tem alternativas sem conservantes ou aditivos, mas tão ou mais gostosos quanto eles. Fomos atrás de profissionais que se dedicam a deixar nossa mesa mais saborosa produzindo temperos e conservas artesanais, que vão transformar qualquer happy hour em um grande evento gastrô.

Chega mais rápido aos olhos do público final um processo já bem maturado ao passar dos tempos dentro de cozinhas sérias, com suas devidas técnicas de conservação, atenção às safras e à filosofia do bem-estar - agora inseridos em potes ou pratos munidos de informações que decidirão a compra.

Eis o exemplo do chef Duca Lapenda, que se divide entre as atividades do restaurante Pomodoro Café, em Casa Forte, com a fabricação da linha própria de produtos exclusivos. Aliás, na embalagem de 200g do seu doce de leite de búfala está o aviso de receita familiar feita com o leite integral de búfalas criadas nas terras da Zona da Mata Sul de Pernambuco, e que a curiosa cor “morena” do produto final é resultado da técnica de cocção longa.

Seu cardápio inclui molhos, laticínios e carnes. Entre os antepastos a variedade passa por tomate confitado, berinjela siciliana, sardella e caponata, ótimos acompanhamentos para pães, massas e saladas. Todos com produção numerada a preços que variam de R$ 18 a R$ 28. “O processo de fabricação é extenso, começa com a escolha da matéria-prima, algumas plantadas por mim mesmo e outros comprados em feira de orgânicos. Depois, adquiro os vidros que logo são esterilizados em autoclave, um processo que garante a higienização total do recipiente. Entre tantas etapas, ainda vai para resfriamento e, por fim, rotulagem”, resume Duca. Parte dos produtos é destinada semanalmente para vendas no empório do Galo Padeiro, no Centro do Recife, e outras para atender às encomendas feitas diretas. Ritmo intenso também na rotina da empreendedora Simone Melo e sua Temperia. A marca vende ervas, especiarias, molhos e geleias de frutas sob o slogan do consumo responsável, via rede social e em espaços nas lojas Campo da Serra e Villa Garden. “Os alimentos naturais me despertaram a vontade de criar o portfólio com cerca de 70 opções”, detalha Simone. Os fornecedores são de vários lugares do Brasil. “Temos, por exemplo, a pimenta-rosa de uma cooperativa alagoana e a cúrcuma de Goiás. Vai depender da procedência do fornecedor e da qualidade da matéria-prima”, completa. A média de preço de um vidrinho individual (30g) com ervas e especiarias é de R$ 20. A procura também é grande por kits para presente.

Redes sociais 

Com o auxílio do Facebook e do Instagram, as marcas divulgam seus cardápios para quem está atento à vida saudável. A Dona Salada, comandada por Marly Soares e sua filha, a educadora física Juliana Nobre, sugere refeições leves e com precedência certificada. “Temos saladas vegetarianas e outras com proteínas. Mas todas levam o molho artesanal feito com mostarda e mel, limão com ervas ou iogurte com hortelã”, comenta Juliana. A combinação perfeita fica com os sucos de fruta 100% natural de 300ml (R$ 5).

Praticidade que a Dicumê, de Vitória de Santo Antão, também defende pelo uso de ingredientes orgânicos. O cardápio sempre varia, mas tem como base a venda de molhos, curries indianos, pestos e alguns pratos prontos. “O que mais sai é o frango tailandês e a carne recheada com refogado de bacon, cogumelos e cebola roxa (R$ 30)”, diz Carla Verçosa, que toca o projeto ao lado do marido Ênio dos Reis e atende sempre a Zona Norte, com taxa de R$ 6.

Se de um lado há quem invista nesse caráter artesanal, do outro está a demanda cada vez mais consciente das necessidades do próprio corpo, como demonstra a jornalista Karen Fon e a marca Araçá Azul. No começo do ano ela iniciou a produção caseira de leite vegetal, por conta da sua intolerância à lactose. Começou a fazer bebidas de aveia, a­mendoim, coco, amêndoas ou castanha. Com base no crudivorismo, doutrina em que os alimentos consumidos são de origem agrícola e crus, Karen defende a ingesTão do “líquido vivo”, que custa de R$ 8 a R$ 12 (500ml), com validade de quatro dias na geladeira.

Hoje, atende clientes via WhatsApp e rede social que ainda buscam patês e queijos vegetais, molho de tomate, pãozinho de batata-doce e minibolo de banana sem glúten nem lactose. “Não estoco ingredientes porque prefiro ter itens frescos. Aceito pedidos de segunda a sexta e tento me organizar para atender no dia seguinte”. A taxa de entrega é de R$ 5.  Informações e encomendas

Duca Lapenda
98128.7686
[email protected]

Temperia
99180.4819
Instagram: @temperia_

Araçá Azul
99520.4441
Instagram:@aracaazul

Dona Salada
99640.8642
Instagram: @donasalada

Dicumê
98540.4463
Facebook: Dicumê (grupo público)

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