Gastronomia entra em asfixia por coronavírus

Dias difíceis para o mercado de alimentação fora de casa

Álcool em gel entra na rotina dos restaurantesÁlcool em gel entra na rotina dos restaurantes - Foto: Divulgação

Não somente as ruas. Mas os salões de bares, restaurantes, lanchonetes e cafés estão vazios. Não somente nossa saúde mental está sendo posta à prova com os confinamentos obrigatórios por causa do Covid-19. A saúde do mercado de alimentação também entrou em asfixia com o abandono, por medo, dos consumidores. Há quase uma semana, os clientes largaram hábitos corriqueiros. E assim tem sido com shoppings, lojas, academias, colégios. Acompanhei a semana de empreendedores do setor e não há dúvida - a situação dos negócios é a mais dramática dos últimos tempos. Lembrando que a maioria é de pequenas empresas, gente sem fôlego para atravessar uma crise sem data para terminar. Não duvido ainda que em um mês , muitos fecham as portas por consequência da pandemia de coronavírus.

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, somente em Pernambuco são sete mil CNPJs na área, que geram aproximadamente 240 mil empregos diretos formais. No Brasil, o setor emprega seis milhões. Olha quanta gente está em risco para além da doença imunológica. Que tal reverter aquela saída semanal ao café, bar ou restaurante em pedidos take away ou delivery? Que tal ajudar o setor não minguar, comprando créditos para usar depois? A gastronomia asfixia agora e, depois, ninguém sabe as sequelas.

MEDIDAS
Redução de 50% de mesas e cadeiras; distância mínima de 1m entre elas; higienização com álcool líquido 70% das mesas e cadeiras, entre um cliente e outro, e também de portas; retirar tralheres e pratos das mesas, para serem postos somente quando tiver cliente; distribuir dispênseres de álcool em gel em pontos estratégicos e, se possível, nas mesas; e abrir portas e janelas quando possível são as novas rotinas dos estabelecimentos.

ATENDIMENTO ESPECIAL
As lojas do Pão de Açúcar, com exceção da marca Minuto, oferecem atendimento diário exclusivo para maiores de 60, das 6h às 7h, para evitar o contato do grupo de risco com a população comum.

DELIVERY
Os pequenos negócios que não têm entrega são os que mais sofrem. E reagem estimulando a clientela a fazer pedidos por telefone e pegar no local. Outros resolveram ingressar nos aplicativos de delivery para não zerar o caixa. A Trattoria DaDani está com delivery direto, até o centenário Leite está em processo de formalização de entrega, assim como o Reteteu, que vai entrar no Ifood e atender via delivery direto. O Tulasi e a Padaria Jaqueira fazem entrega também. O Mooo Sandwich Bar está no Rappi.
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QUEDA E AUMENTO
O turno da noite é o mais afetado. A Cia do Chopp contabilizou uma redução de 55% no horário, no fim de semana passado, e uma queda de 20% no almoço. Em compensação, nos mesmo dias, registrou aumento de 60% no seu delivery via app.

ADAPTAÇÃO
À frente do grupo Quina do Futuro, André Saburó registrou maior queda no jantar, em torno de 38%, mas não viu o delivery subir. “Tem dado muito certo o cliente ligar e pegar no restaurante o seu pedido, sem sair do carro. O atendente higieniza a maquineta de cartão na frente do cliente e só depois entrega para digitar a senha”, falou Saburó à coluna, que constatou que muita gente tem receio do contato com os entregadores de apps porque são vistos sentados na calçada, agrupados na frente de algum local, suam durante o transporte.

COOPERAÇÃO 1
No Recife, o "Jovens Empresários da Zona Norte" (JEZN), grupo formado por marcas de vários segmentos, tem estimulado em postagens no Instagram o consumo de pequenos produtores. Há marcas de comida, arquitetura, acessórios e audiovisual que funcionam na Zona Norte do Recife.

COOPERAÇÃO 2
No Rio, um coletivo de profissionais do setor criou a perfil no Instagram @comidaderesistencia, buscando soluções para o mercado gastronômico conseguir atravessar a crise com o mínimo de saúde.

MEDIDA EXTREMA
Algumas casas optaram por fechar as portas até o fim do mês, como o Patuá, em Olinda, o Arvo, no Torreão, e o Broiller Burger, no Parnamirim.


*Vanessa Lins é editora do caderno Sabores e escreve quinzenalmente neste espaço. Instagram: @quintopecado

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