Gigante da hotelaria aposta tudo em Alimentos e Bebidas

Adeus ao marasmo: AccorHotels pretende oferecer experiências únicas

Mil-folhas feito em hotel do grupo foi considerado o melhor da América do SulMil-folhas feito em hotel do grupo foi considerado o melhor da América do Sul - Foto: Divulgação

É provável que muita gente não saiba, mas a AccorHotels é uma empresa cheia de tentáculos. No Nordeste, sobretudo, a atuação do grupo é conhecida pela presença da bandeira Ibis, que é um dos modelos mais enxutos de hospedagem (básico e em conta), mas o guarda-chuva da companhia francesa abriga 24 marcas, entre hotéis, resorts e locações de luxo.

Na contramaré das crises econômica e política que assolam vários países do continente, a AccorHotels revelou, em entrevista coletiva em São Paulo, que o ano de 2017 foi mais do que lucrativo. Pudera. No período, abriu 52 hotéis na América do Sul, sendo o Brasil o país que recebeu mais hospedagens no mundo dentre os 99 países em que a rede está presente. O apetite de expansão tem uma meta ousada: abrir 500 hotéis na AS até 2020.

De acordo com o CEO na América do Sul, Patrick Mendes, o planejamento da empresa, a partir deste ano, prioriza em absoluto a área de Alimentos e Bebidas da hotelaria oferecida - o famoso A&B. "Nossa região foi a mais significativa em termos de evolução de receita em alimentos e bebidas do mundo", revela. Traduzindo em números, o consumo gastronômico no seu segmento de luxo corresponde a 33% da receita, enquanto que nas unidades mais econômicas, é algo em torno de 17%.

Ou seja, algo que dá tanto retorno financeiro não pode ser relevado, não é isso? Mas como tornar a gastronomia de suas casas ainda mais atrativa? "Queremos oferecer experiências únicas aos hóspedes e não hóspedes. Moradores das cidades procuram restaurantes e bares de hotel como opções de alta qualidade e fora do comum", reforça Patrick.

A dinamização dos lobbys dos hotéis é uma das ações previstas para se tornar maciça. No Pullman Vila Olímpia, onde a reportagem ficou hospedada, por exemplo, uma animada happy hour rolava no fim da tarde, ao som da banda de jazz, exposição de quadros e ótimo bar de coquetelaria. No café da manhã, geleias da marca Bonne Maman e figo natural compunham a primeira refeição. E olha que o hotel tem target executivo, nicho que, até um dia desses, era formalista e sem graça.

Agregar marcas prestigiadas aos serviços dos hotéis é algo que tende a se consolidar, como o caso da geleia. Parcerias com a Nespresso e o Café Orfeu já existem. Desenvolver produtos personalizados também é algo que está dentro da proposta de valorização das experiências sensoriais. Nesse rumo, aqui mesmo em Pernambuco, o Ibis fechou parceira com a DebronBier para desenvolver uma cerveja própria, que está sendo distribuída em todo o Nordeste.

E, claro, estreitar relacionamento com cozinheiros conhecidos para ações pontuais. Festivais temáticos também tendem a se avolumar, atualmente há um peruano, de hambúrguer e de sopas.

O MELHOR
Mas bem antes de a empresa anunciar o posicionamento de A&B em seus hotéis, um fato em 2009 apontava para o cuidado que o seu nicho de luxo já dispensava à gastronomia. Foi naquele ano que a receita de mil-folhas do Grand Mercure Ibirapuera (SP) foi avaliado pelo jornal The New York Times como o melhor da América Latina.

A receita clássica francesa havia sido desenvolvida pela dupla de confeiteiro e chef Fabrice Lenud e Patrick Ferry, respectivamente, em 1997. O doce faz tanto sucesso que em um único fim de semana, a equipe do Grand Mercure chega a produzir 3.500 unidades.

*A jornalista viajou a São Paulo a convite do grupo Accor Hotels

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