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Iemanjá inspira homenagem de chef

Ieda de Matos, da Casa de Ieda, assina receitas inspiradas no orixá

“A magia e os segredos dos orixás se aprendem na  cozinha”, diz babalorixá“A magia e os segredos dos orixás se aprendem na cozinha”, diz babalorixá - Foto: Diulgação

Não é novidade que os rituais de oferenda aos orixás, no Candomblé, são pesquisados, analisados e ainda servem de inspiração, sobretudo para a culinária. Especializada em títulos ligados ao tema, a Arole Cultural, de Diego de Oxóssi, acaba de publicar o segundo livro da série “Ajeum: Banquete Sagrado”.

O “Iemanjá: Aves e Pescados” é uma compilação de receitas assinadas pela chef baiana Ieda de Matos, do restaurante Casa de Ieda, na capital paulista, e conhecida por suas experiências com a gastronomia da Chapada Diamantina. Ieda ensina 21 preparos à base de carnes brancas e frutos do mar, entre outros, para homenagear a Grande Mãe do Brasil e senhora das águas salgadas, como os candomblecistas chamam Iemanjá.

“Os orixás comem o que os homens comem. Desta forma, a comida é mais do que só a materialização de sabores e, sim, um elo de louvor e agradecimento entre ambos. Esse trabalho representa a relação entre o homem e o sagrado, onde para os praticantes desta crença o alimento é o grande elo”, explica Carlos Ribeiro, chef de cozinha paraibano e organizador da coleção, que fica completa com a participação de Ana Célia Santos e Bel Coelho, retratando pratos tipicamente brasileiros inspirados nos ingredientes prediletos de Oxum (doces e ovos), Ibeji (caruru de São Cosme e doces de festas) e Iansã (pimentas, carnes vermelhas e dendê).

CARDÁPIO
Nesta edição que reverencia Iemanjá, a lista de delícias é grande, explora a tropicalidade brasileira, as cores dos ingredientes nativos e a presença da pimenta, milho, coco e da manga: arroz-doce de corte com leite de coco verde, manga grelhada com creme de manga, creme de milho branco com peixe de sal empanado na farinha de mandioca, frigideira de mamão verde, salada de milho branco e manga, sopa de coco com camarão, arroz frito no dendê com camarão seco defumado, peito de pato curado com quirera, almôndega de peixe com molho de manga, mexido de arroz com feijão fradinho, siri catado e carne de fumeiro, caruru de folhas e peixe grelhado na manteiga de pimenta de cheiro, bolinho de inhame recheado com pato assado, sardinha na panela de pressão, milho branco, dendê e camarão seco defumado, manjar branco e compota de caju com calda, doce de coco verde com perfume de aridan, doce de mamão verde (furrundu), arroz de miúdos de galinha com açafrão da terra, bolinho de arroz com galinha d’angola, sardinha assada com pirao de leite e vinagrete de manga, vinagrete de manga e arroz de pato com camarão seco defumado, farofa de beiju com dendê.

APRENDIZADO
Uma das primeiras lições do Candomblé é que a magia e o segredos dos orixás se aprendem na cozinha. Quem afirma isso é o babalorixá e fundador da editora Arole, Diego de Oxóssi, que complementa “é quase impossível falar de comida dos orixás sem abordar o sincretismo religioso e o regionalismo brasileiro”.

“A comida de santo que se come nos traz o conhecimento de como o alimento faz parte de nossas vidas terrenas, mas nos aproxima do nosso convívio de fé levando em conta a importância deste exercício”, comenta Carlos Ribeiro, organizador da série de livros.

SERVIÇO
“Iemanjá: Aves e Pescados”
Autora: Ieda de Matos
Organização: Carlos Ribeiro
Editora: Arole Cultural
112 páginas
Preço: R$ 44

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