Leo Paixão: conheça o trabalho do chef à frente de cinco restaurantes em Belo Horizonte
Memórias de família, técnica e ingredientes locais contam a história do chef mineiro que se conecta com a gastronomia de Minas e do mundo
Num terreno tão efervescente para a gastronomia quanto Minas Gerais, o nome de Leo Paixão surge cada vez mais conectado aos grandes mercados.
À frente de cinco casas em Belo Horizonte, o chef faz da própria história um impulso para expansão. Pesquisa, observa e transforma referências em uma cozinha essencialmente mineira, num movimento contínuo de troca.
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Essa troca começa ainda no salão dos restaurantes. Circular entre as mesas é alternar o tempo entre fotos e conversas sobre os pratos ali servidos. Formado em Medicina pela UFMG, Leo mudou de rota ao estudar cozinha francesa na École Supérieure de Cuisine Française.
Ganhou projeção nacional nas três temporadas do reality gastronômico Mestre do Sabor, da Globo. Mas o jeito mineiro que conquistou espaço na televisão encontrou fora dela um terreno ainda mais fértil.
“Belo Horizonte está passando por um momento muito legal, com um crescimento absurdo de estabelecimentos. São muitos bares e restaurantes abrindo. Uma turma jovem, que eram os antigos subchefes, fazendo uma comida muito boa, em casas pequenas e bem artesanais. O Grupo Glouton se insere nessa onda de casas maiores, mas, ao mesmo tempo, extremamente gastronômicas, sempre com uma identidade mineira”, adianta o chef, antes de apresentar os endereços que comanda.
Em visita com um grupo de jornalistas, no últim mês de maio, conheci três deles.
Autoral
Aberto em 2013, o Glouton, primeira operação do grupo, segue a linha franco-mineira e permanece como sua casa mais conhecida. Talvez porque seja uma cozinha de alta precisão, mas que desperta memórias. “A gente entendeu que o mineiro queria uma comida sofisticada, mas também queria aquela comida da infância”, resume.
Salão do restaurante Glouton (Foto: Divulgação/Grupo Glouton)O conceito aparece em todo o cardápio. Entre as entradas, a berinjela com melado (R$ 49) faz referência direta ao interior de Minas. Já o atum selado ao molho asiático com carbonara de pupunha (R$ 131) evidencia a abertura para outras influências, ampliando o repertório.
Ao afirmar que “cozinha é conteúdo e sabor”, Leo Paixão também se distancia do rótulo de "nova cozinha mineira". “Essa é uma cozinha que já existe, mas que recebe um novo olhar”, explica.
Nesse contexto, a louça assinada pela ceramista mineira Léa Diegues acrescenta toque artístico à mesa, enquanto os vinhos produzidos no estado reforçam a valorização dos ingredientes e produtores locais.
Referências
Ao lado do Glouton está o Ninita, talvez seu restaurante mais pessoal. A casa homenageia sua bisavó materna, conhecida na família pelo apelido que dá nome ao restaurante.
Ninita tem como referência a cozinha ítalo-mineira (Foto: Divulgação/Grupo Glouton)Descendente de italianos, Ninita era confeiteira e cozinheira e inspira o projeto não pela reprodução literal de receitas, mas pelo legado emotivo.
O salão acolhedor, repleto de fotografias e referências familiares, prepara o visitante para um gastronomia ítalo-mineira. Entre os destaques estão o crostini de gorgonzola com maçã na telha de pera (R$ 53) e o capellini al limone com camarões assados na brasa (R$ 133).
Ampliação
A investida mais recente do grupo, inaugurada em 2024, aposta na cozinha luso-brasileira. O Macaréu é mais uma prova dessa ligação com o mundo. “A ideia inicial era ser uma casa de peixes, até que entrei com pescados portugueses, que direcionaram ainda mais o cardápio”, conta o chef.
O resultado é um menu que passeia entre os dois lados do Atlântico, reunindo croquetas de alheira (R$ 65), arroz meloso de pato com defumados e tucupi (R$ 119), tambaqui na brasa, polvo à lagareiro, papada de porco à moda do Alentejo, entre outras receitas.
Macaréu é a operação mais recente do Grupo Glouton (Foto: Divulgação/Grupo Glouton)Além das casas visitadas, o Grupo Glouton também inclui o Nicolau Bar da Esquina, dedicado às culinárias das Américas, e o Mina Jazz Bar, com proposta inspirada nas tapas.
Até o fim deste ano, o portfólio ganhará um sexto endereço, desta vez voltado à cozinha japonesa. Um movimento que amplia o mapa gastronômico de Leo Paixão sem alterar o ponto de partida: ter Minas como referência.
Serviços:
Glouton
Endereço: rua Bárbara Heliodora, 71, Lourdes, Belo Horizonte/MG
Instagram: @gloutonbh
Ninita
Endereço: rua Bárbara Heliodora, 71, Lourdes, Belo Horizonte/MG
Instagram: @ninitabh
Macaréu
Endereço: rua Dicíola Horta, 77, Belvedere, Belo Horizonte/MG
Instagram: @macareubh
Nicolau Bar da Esquina
Endereço: R. Dicíola Horta, 77, Belvedere/MG
Instagram: @nicolaubardaesquina
Mina Jazz Bar
Endereço: av. Álvares Cabral, 17, Centro, Belo Horizonte/MG
Instagram: @minajazzbar
*O repórter viajou a convite dos chefs Leo Paixão, Guilherme Furtado e Gabriella Guimarães

