Luz, Câmera... Comida!

Como na vida, nas séries e nos filmes, a culinária ganha destaque e é relembrada com saudosismo em cenas inesquecíveis

O famoso gato Garfield é conhecido por amar lasanha à bolonhesaO famoso gato Garfield é conhecido por amar lasanha à bolonhesa - Foto: Divulgação

Quando sentamos em frente à televisão ou vamos ao cinema, quase sempre estamos segurando determinado tipo de alimento. Seja aquela pipoquinha companheira que compramos antes do filme começar ou o prato da janta que levamos ao sofá para não perder a série favorita. Ainda que inconscientemente, unimos dois mundos que gostamos porque não dá para esperar vivenciar um de cada vez, precisamos da experiência completa: gastronomia e cultura pop juntos.

Esse casamento entre comida e ficção também é comum dentro das histórias criadas pelos autores. No mundo da imaginação, a comida é onipresente e pode servir tanto para compor o cenário, como ganhar destaque e ser lembrada em momentos marcantes. Quer ver um exemplo clássico? Vamos imaginar que alguém coloca em nossa frente uma suculenta lasanha à bolonhesa. É impossível não lembrar do famoso felino de pêlos alaranjados que era fissurado nesse prato: o Garfield. Ele completou 40 anos em 2018 e seja nas HQs, no cinema ou na TV, está sempre associado à tradicional massa italiana.

Outro exemplo de comida diretamente ligada ao protagonista acontece em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001). No longa, Amélie trabalha em um café de Paris, na França, então é de se esperar que ela fosse amar algum quitute à venda no estabelecimento. Sua rotina in­clui quebrar a casquinha do crème brû­lée com a colher e saborear a sobremesa.

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Falando nisso, comida doce parece atrair crianças dentro e fora da ficção. Não se­ria diferente para Matilda (1996), uma ga­rotinha super inteligente que usa seus po­deres de telecinese para alcançar torti­nhas e bolo de chocolate. A Eleven, de “Stranger Things” (2016 até hoje), também já usou seus dons especiais para inva­dir um supermercado em busca de waf­fles, sua comida favorita. A massa do­ce até foi usada para atrair sua atenção quan­do ela se perde pelo mundo invertido.

No amor e na conspiração

O costume de sentar ao redor da mesa e fazer uma refeição não é de hoje, mas nas histórias fictícias essa reunião gastro­nômica (ou o ato de distribuir petisco na firma) pode esconder segundas intenções: para o bem e para o mal. Na série “Breaking Bad” (2008-2013) há os dois exemplos. Em seu aniversário, a família de Walter White costuma preparar aquele café da manhã americano, com torra­das, ovos e bacon frito, o detalhe fofo é que eles deixam o bacon no formato da ida­de do protagonista. Mas o professor de química é malicioso e, em parceria com o empresário Gus Fring, distribui me­tanfetamina dentro das embalagens de frango frito, além de usar a empresa Los Pollos Hermanos para lavar dinheiro.

O mundo da magia de “Harry Potter” também tem espaço para degustação à base de complô. Para driblar as regras abusivas da professora Umbridge, Harry, Rony e Hermione fundam a Armada Dumbledore, sugerindo que os alunos se encontrem secretamente para aprender Defesa Contra as Artes das Trevas, tudo isso regado a muita cerveja amanteigada, bebida popular no comércio de Hogsmeade.

Já na clássica trilogia de “O Pode­roso Chefão”, era comum que a má­fia se reunisse em torno de uma me­sa apinhada de comida para deci­dir quem viveria e qual desafeto iria morrer. Uma das frases mais popu­lares do filme é quando gritam “Dei­xe a arma, pegue o cannoli (sic)”, deixando claro que a preferên­cia será sempre uma boa e velha sobremesa da região da Sicília, na Itália.

Rosquinhas x FBI

O serial killer mais famoso das séries também usa a comida para disfar­çar suas intenções. Dexter traba­lha em uma delegacia de polícia, mas mata os criminosos que os dete­tives não conseguem capturar. Pa­ra se passar por bonzinho, todos os dias ele chega ao trabalho distribuindo donuts para os colegas. É comum encontrar as rosquinhas com cobertura em qualquer história que envolva agentes do FBI, já repararam?

Em época de romance é difícil não pensar em um jantar, seja no restaurante ou em casa, com quem se ama. E como não mencionar o clássico “A Dama e o Vagabundo”? A cena que os cachorrinhos apaixonados comem macarronada com almôndegas na Itália é de arrancar suspiros. Além do selinho acidental com o fio da massa, o vira-lata Tramp deixa a última almôndega do prato para a Lady. Fofos!

Mas nem tudo são flores quando se tenta acertar na receita. Bridget Jones que o diga. Na tentativa de preparar um jantar para os amigos, ela tentou reproduzir uma sopa de batatas com alho-poró, mas o caldo acabou ficando azul. Pelo menos a protagonista contou com a ajuda do crush e conseguiu improvisar usando os ovos que estavam na geladeira para servir omelete.

Fãs de “Gilmore Girls” (2000-2007) vão lembrar que a relação entre mãe e filha de Lorelay e Rory era bonita de acompanhar e que as duas aprenderam muito uma com a outra. Na segunda temporada, a filha faz uma suposição e pergunta: “Se a casa estiver pegando fogo, o que você salva primeiro, o bolo ou a mim?” E a mãe devolve: “Não é justo! O bolo não tem pernas!”.

O dom da gastronomia não fica só para os humanos, pelo menos não é assim que funciona nos desenhos. Na animação “Ratatouille”, o ratinho faz amizade com um cozinheiro para poder aprender as principais técnicas da culinária francesa. Durante o filme, a situação se inverte e quem acaba sendo ajudado é o jovem rapaz, estabelecendo uma improvável relação, quando percebe que o pequeno animal nasceu para cozinhar. Inclusive, o passo a passo do tradicional prato que dá nome ao longa pode ser lido aqui.

O mundo gastronômico já foi base de grandes produções cinematográficas. Desde a vida de chefs renomados até o valor da comida na mesa, as histórias traduzem o que move o tema: amor e dedicação. Confira a lista com 5 filmes sobre o assunto!

Toast: A História de uma Criança com Fome

Desde criança, Nigel tinha admiração por gastronomia, mas ninguém perto dele sabia ensiná-lo a cozinhar. Quando sua mãe morre, seu pai se casa novamente e contrata uma empregada para ficar de olho no garoto. A história segue mostrando a relação da criança com o pai e a madrasta, a medida que aprende a cozinhar com a empregada. O filme é baseado em fatos reais e se inspira na vida do chef Nigel Slater.



A Festa de Babette

O filme se passa no século XIX e conta a história de uma parisiense chamada Babette, que é contratada como cozinheira para um pastor e suas duas filhas, na Dinamarca. Os anos se passam e quando elas pensam em comemorar o centenário do pai, Babette prepara um jantar surpreendente para a família. O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1988.

A 100 Passos de Um Sonho

Uma família indiana deixa seu país para abrir um restaurante clássico na França. Eles não esperavam que uma grande rival, a chef Madame Mallory, estaria do outro lado da rua. A grande cozinheira é interpretada pela atriz Hellen Mirren, enquanto o jovem aprendiz indiano, por Manish Dayal, da série “The Resident”.



Sem Reservas

Uma talentosa chef tem seu dia a dia alterado quando sua irmã morre e ela precisa cuidar da sobrinha ao mesmo tempo em que comanda a cozinha do restaurante. Tudo se complica quando um novo cozinheiro integra a equipe do estabelecimento.



Julie&Julia

A blogueira Julie cria um plano de reproduzir as 524 receitas da famosa chef Julia Child, interpretada pela atriz Meryl Streep. No meio do desafio, a história das duas se cruza e elas acabam se conhecendo.


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