Gastronomia

Mesa de tradição: conheça as delícias da culinária chinesa

Os asiáticos já estão no Ano Novo Chinês. É tempo de exaltar uma culinária milenar, difundida no mundo inteiro, que no Brasil tem espaço consolidado em restaurantes de todas as partes

Yakissoba do restaurante Taladê - Japanese Food é um dos preferidos do públicoYakissoba do restaurante Taladê - Japanese Food é um dos preferidos do público - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O começo de fevereiro marcou a entrada do Ano Novo Chinês para os povos asiáticos, baseado nos 12 ciclos completos da lua. Mesmo com um calendário diferente do contexto ocidental, eis um período de renovação e expectativa de bons ventos para os próximos dias. Tradição é palavra de ordem não apenas nas celebrações, mas na vida da população orental que enxerga o ato de comer um dos momentos mais importantes do dia.

Com fama exótica

Aos olhos de fora, a China possui uma das mais exóticas cozinhas do universo e isso está muito relacionado aos ingredientes utilizados. Para ele, a cor, o aroma e o sabor dos alimentos possuem a mesma relevância.Não à toa, exploram bem ingredientes como alho-poró, gengibre e pimenta. Mas não para por aí. É fácil encontrar arroz, soja, carne de porco, peixe e legumes. Mas também é possível se deparar com barbatana de tubarão, escorpião e gafanhoto na comida de rua - representada pelos chineses mais rurais.

Mas, segundo os livros de história, todos esses elementos à mesa surgiram ainda com os primeiros povos, séculos atrás, e pouco perdeu boa parte de suas características. Mantém-se o contraste de cores, sabor e aromas intenso. Sendo assim, essa é culinária com poder de influenciar muito mais a gastronomia de outros países do que o contrário. 

No mercado externo

Mas fora do seu “habitat”, a culinária chinesa passa por adaptações que tentam se aproximar de realidades gastronômicas distintas à sua origem. Muitos souberam tirar proveito da versatilidade do produto. Já outros recriaram versões bem diferentes do que se conhece do Oriente

Segundo a chef de cozinha Yu Eywha, o que se vê por aqui são "americanalhadas" . “A culinária chinesa valoriza muito o sabor natural dos ingredientes. Há pratos de cocção rápida como os salteados e pratos mais elaborados com vários tipos de coação. O que se serve por aqui é somente shoyu com amido de milho, sem saborizar este molho, mas é da influência americana por pratos rápidos”, pontua. Para ela, nos estados mais ao Sul do Brasil, é possível encontrar uma culinária mais autêntica e fiel à cultura chinesa. “Pode não parecer, mas é usado açúcar em muitos pratos originais, principalmente os que levam carne suína”, completa.

Na produção mais recente, há uma tendência para itens como o bao, o pãozinho cozido no vapor, extremamente macio, famoso na animação “Kung Fu Panda”, que já pode ser visto com facilidade em diversos cardápios no Recife. Outro que voltou a ganhar espaço na terrinha é o guioza, disponível em restaurantes japoneses, com uma espécie de pastel recheado com carne e legumes.

“Originalmente, todos os sabores são encontrados na culinária chinesa, mas para comercialização e por causa do gosto local,  se usa mais o sabor salgado. Por exemplo, de gosto local temos o creme cheese no sushi”, comenta Yu, que tem como memória afetiva o conhecido macarrão shop suey - yakisoba - feito por sua avó à base de açúcar e amendoim em pó. Aqui, a preferência é pelo shoyu e o amido de milho. 

Clássicos no cardápio

Não tem como negar o espaço dado às receitas que caíram no gosto pernambucano. É a fartura do yakisoba, o molho agridoce sobre o harumaki e a leveza do bifum com vegetais que chamam atenção pela praticidade e sabor. No Taladê Japanese Food, as 60 opções colocadas na casa são divididas entre Japão e China. Segundo a sócia Priscila Brandão, desde a abertura em Boa Viagem, a ideia da casa é resgatar  o sabor gastronômico do país asiático, em que os pratos são servidos  sem conservantes e outros ingredientes que alteram o sabor original

“Em relação especificamente à culinária chinesa, os clientes costumam pedir as guiozas e os harumakis como entrada, tanto no rodízio, como no à la carte. Praticamente, todas as mesas consomem esses itens. Mesmo a gente tendo um foco muito grande nos itens japoneses, essas entradas se destacam”, aponta. Eis um hábito ocidental de ter a experiência munida de entrada, prato principal e sobremesa. “Um almoço ou jantar chinês tem muita verdura salteada, vários pratos de proteína, sopas e pães que são servidos todos juntos”, lembra Yu.

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