Método BLW sugere mais autonomia para os bebês

Método BLW dispensa papinha e permite que crianças tenham acesso a alimentos sólidos a partir dos seis meses

A pequena Letícia tem sete mesesA pequena Letícia tem sete meses - Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Quando acorda cedinho, Letícia, de sete meses, dá o primeiro sinal de que está mesmo com fome. É hora de mamar e acalmar os ânimos até às 9h, quando a mãe Sofia Mota prepara um café digno de princesa. No cardápio, nada de papinhas semi-prontas. Lelê se lança em pedaços cortados de frutas coloridas, que ela segura curiosa com as mãos até levar à boca. Meia-hora depois, toma água e encerra o chamado método baby-led weaning (BLW) ou "desmame guiado pelo bebê", que permite uma introdução alimentar com mais autonomia, a partir dos seis meses.

Sofia, que é chef de cozinha, defende que essa é a chance de oferecer o alimento de forma íntegra e mais saudável possível. “Porque não acredito que exista uma formação de arquivo de memória gustativa com sopas processadas com vários ingredientes juntos. Como conhecer um sabor se está tudo misturado?”, comenta. Do ponto de vista pediátrico, especialistas lembram que o leite permanece como base da alimentação do bebê, que mamará em livre demanda, mesmo sendo apresentado aos novos alimentos. Assim, os sólidos apenas complementarão. “O BLW vai muito além do que evitar papinhas. Nessa forma, respeita-se o desenvolvimento motor, o interesse pelos alimentos, instintos e habilidades para comer”, explica a nutricionista infantil Amanda Guimarães. Os cortes devem ser adequados à capacidade para pegar o alimento e levá-lo à boca, estimulando a independência e a confiança.

“Para qualquer método de introdução alimentar, orientamos a oferta de itens saudáveis como frutas, verduras, legumes, feijões e leguminosas, carnes, raízes, tubérculos e cereais. Cada um introduzido no seu tempo, respeitando o desenvolvimento da criança e sua maturidade gastrointestinal para comer. A diferença é que no BLW iremos orientar aos pais sobre os formatos - cortes - que os alimentos serão apresentados”, completa Guimarães. Ainda de acordo com a especialista, essa exposição direcionada pode desenvolver a coordenação visual-motora; as habilidades de mastigação; estimular a maior frequência das refeições em família -porque todos comem juntos e o ambiente de refeição torna-se mais prazeroso; e os bebês conseguem controlar melhor a fome e a saciedade.

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A nutricionista Helen Lima concorda. Em casa, o processo começou nos cinco meses e meio da filhinha Beatriz. Os pedaços de frutas eram pequenos e foram aumentando de acordo com o nascimento dos dentes e o desenvolvimento motor da garotinha, que cresceu sem saber o que é comida processada no liquidificador. “Aí não tive grandes problemas para introduzir depois carnes, arroz bem cozido e sopas”, lembra.

Cuidados - Mas independência não significa deixar a criança fazer o que quiser. Para aplicar o método de maneira segura, a nutricionista infantil e esportiva Lais Thorpe lembra que “os principais cuidados estão com a higiene dos alimentos, mesmo daqueles consumidos sem casca, porque muitas vezes é necessário que uma parte dela permaneça para facilitar a pega. E que essa introdução seja iniciada após os 6 meses, desde que a criança apresente uma boa sustentação do pescoço e capacidade de pegar e levar a comida até a boca, diminuindo assim o risco de engasgar”, orienta. Vale também respeitar o tempo da criança, não apressando o seu contato com os ingredientes, e nem exagerar na quantidade de comida.

Mais algumas dicas
Pela nutricionista Helen Lima

- Comece a introdução alimentar pelas frutas em pedaços
- Não dispense o leite materno
- Evite o mel em crianças abaixo de um ano. Embora natural, ele pode ser uma fonte de contaminação para o botulismo
- Evite alimentos potencialmente alergênicos: amendoim, castanha e crustáceos
- Faça um prato colorido e nutritivo

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