Não é preciso comer menos para economizar

Não é preciso comer menos para economizar no salário. A dica é planejar as refeições e aprender que seu orçamento pode andar de mãos dadas com a boa gastronomia

O bom armazenamento começa na dispensa, com todos os produtos a vistaO bom armazenamento começa na dispensa, com todos os produtos a vista - Foto: Leo Motta

 

Quando o debate se refere ao dinheiro, vale a máxima de que cada um sabe onde seu calo aperta. Por isso, antes de continuar a leitura deste texto, saiba que as expressões ‘mão de vaca’ e ‘pão duro’ só se encaixam aqui por se relacionarem à comi­da e não para definir quem se priva de alguns gastos na rotina.

É que, em tempos de verba curta, o controle de uma despesa tão fixa quanto a alimentação pode ajudar, e muito, no seu caixa mensal. Até porque, esse é um tipo de gasto que compromete cerca de 30% do orçamento familiar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E você saberia dizer exatamente como esse dinheiro vem sendo gasto?
Quem acompanha a apresentadora do programa “Cozinha Prática”, do canal pago GNT, Rita Lobo, já deve ter escutado algumas de suas opiniões a respeito do tema. Em uma de suas falas está o debate de que a vida corrida tem feito muita gente aposentar as panelas e consumir quase com exclusividade o que a indústria da comida pronta, e dita sem complicações, oferece.

Por esse lado da história, uma mão na roda aos dias atribulados. Mas, segundo nutricionistas, os benefícios para o corpo são quase nulos e merecem ser revistos com atenção. Eis que surge mais um motivo para um velho conhecido das famílias dar o ar da graça na forma de planilha no computador ou lista no papel: o planejamento!

Para o educador financeiro da Empreender Dinheiro, Arthur Lemos, o ajuste começa pelo entendimento da rotina familiar. “É preciso saber quais dias você trabalha fora e quantas refeições precisa fazer longe de casa. A partir de então, define-se como acolher essa necessidade diária, que pode ser atendida por almoço ou lanche feito por você mesmo”, orienta.

Após o mapeamento é que se pode pensar na lista de supermercado de olho na real finalidade para cada item que entra no carrinho. Ou seja, nada de comprar tudo ao alcance das mãos. A dica seguinte é ter foco. “Para não fazer a seleção em uma semana e, na outra, já mudar de opinião, tenha em mente objetivos claros de vida. É como sonhar com uma vigem no final do ano e saber que a poupança de agora contribuirá para essa realização em dezembro. É uma forma de motivação”, exemplifica.

É certo que muitos vão parar nessas afirmações e logo se declarar inabilidosos na cozinha. O fato é que nenhuma receita precisa ser um amontoado de ingredientes caros e difíceis ou mesmo demandar horas de dedicação ao fogão. Fazer as escolhas certas no dia a dia já é um bom início de conversa.

Para a chef Miau Caldas, isso inclui a preferência por hortaliças, frutas, legumes, raízes, grãos e cereais, que podem ganhar diversos preparos ao longo da semana em nome de um cardápio atrativo. “Para barganhar nesse tipo de compra, vale conhecer feiras livres, identificar as promoções do dia oferecidas pelos supermercados e escolher os produtos da estação”, detalha.

O reaproveitamento de insumos é outro detalhe fundamental para a boa saúde do orçamento. Na prática, é saber que tudo em volta do alimento pode ser consumido da melhor maneira possível, mesmo que na forma de um novo prato como sopa, omelete ou suco.

Tanto é possível em qualquer cozinha que até um dos chefs mais importantes do mundo, o italiano Massimo Bottura, fez desse discurso uma realidade no seu Refettorio Gastromotiva, montado ano passado, no Rio de Janeiro, durante a Copa do Mundo. O cardápio tinha como base alimentos que seriam descartados por mercados e restaurantes, e foram servidos para muita gente que não podia pagar por um bom prato.

Por aqui, Miau Caldas ainda lembra que é possível produzir farofas, bolos e até salgados, como uma torta de massa sem glúten e lactose feita com as sobras da batata doce cozida. Leva apenas o tubérculo amassado e misturado com amido de milho que, após descansar, serve de base para aquele frango também esquecido na geladeira. “E, se quiser, ainda é possível congelar a massa e utilizar de formas diferentes para consumo individual ou de toda família”, comenta a chef, que também sugere novos ares para a tradicional marmita. Basta utilizar, por exemplo, o caldo da beterraba no arroz cozido para dar aos grãos uma tintura diferente ao lado de legumes e frango grelhado.

Saúde
Antes de achar que para ter uma dieta equilibrada é preciso gastar fortunas em um cardápio específico, lembre-se de que o controle no gasto alimentar inclui a presença dos queridinhos de nove em cada dez brasileiros. Arroz, feijão e carboidratos complexos podem entrar na rotina de quem vai ter mais atenção também com a saúde. Na verdade, essa é uma consequência clara de quem passa a consumir menos produtos industrializados e mais preparos artesanais.

Segundo a nutricionista Clarissa Aquino, basta fazer um único preparo durante a semana e fracionar o resultado através do congelamento. “Feijão e arroz podem ficar tranquilamente por uma semana na geladeira. Mas, para não se perder nos dias e porções, nomeie cada potinho com data e ingredientes utilizados no cozimento”, explica. E, antes de voltar às compras, é bom conferir o que já tem na despensa para não exceder nas quantidades.

“Uma dica para não perder as frutas de amadurecimento rápido é congelar antes. Tirar, por exemplo, a casca da banana e reservar em saquinhos plásticos ou potes específicos”, completa. O mesmo vale para temperos naturais e sua capacidade de aturar baixas temperaturas sem perder as propriedades nutricionais.

 

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