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Noronha gastrô

Ilha se fortalece a cada ano quando o assunto é gastronomia

Baião de 8 da Morena Leite é especialidade da Pousada Zé mariaBaião de 8 da Morena Leite é especialidade da Pousada Zé maria - Foto: Wagner Ramos/Divulgação

O cara
Não há como falar em Fernando de Noro­nha sem citar Zé Maria Sultanum, o empre­sário mais famoso da ilha. Além de ostentar o selo Roteiros de Charme em sua pousada de luxo, ele é um verdadeiro entusiasta da gastronomia brasileira. É em seu restaurante dentro da hospedagem onde promo­ve o evento gastrô mais cobiçado de No­ronha.

Às quartas e sábados, Zé Maria comanda o Festival Gastronômico - invariavalmente lotado -, é prudente reservar an­tes, quando uma grande mesa é monta­da no meio do salão e preenchida com mais de 40 receitas quentes e frias - a varie­dade contempla de paella gigante a peixe em crosta de sal grosso, passando por tipos de farofa, arrozes, carne vermelha, camarão e sushis.

Com sorte, os peixes servidos nestes dias terão sido pescados pelo próprio Zé Maria em alguma de suas idas ao mar. Zé é exímio pescador. Os pratos quentes saem de cena e dão lugar a um minibanquete de sobremesas feitas na casa, mais café e chá. Depois da comilança, rola uma cantoria ao vivo com muitos clientes sendo pegos de surpresa para assumir o microfone. É ponto de encontro obrigatório de celebridades. Custa R$ 273,88 por pessoa.

Irriquieto, também movimenta a noite de sexta-feira com o projeto Cozinhar e Comer, em que uma bancada expõe frutos do mar in natura - lagosta, camarão de tamanhos variados, alguns peixes, mexilhão, lula, polvo - para que o próprio cliente escolha o que vai no seu prato, que pode ser uma massa ou risoto, preparado por ele mesmo ou por algum dos cozinheiros do dia.

O salão fica animado com o vai-e-vem de gente que antes mesmo de comer, se diverte com as habilidades (ou a falta de) nos preparos culinários. Os itens são cobrados no peso e cada um deles tem um valor. 

Os eventos são o chamariz do restaurante Zé Maria, mas a boa comida é vitrine do à la carte servido em todos os outros dias e horários. Sob a tutela do próprio Zé, as criações são coloridas, com muitos legumes, frutas, ervas, especiarias, enfim, ingredientes que fazem uma comida alegre.

Integrante da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, a receita que representa o selo é Da Itália a Pernambuco Paulo Sultanum, que consiste num risoto caprese (muçarela de búfala, manjericão e tomate) com camarão na manteiga de garrafa, queijo coalho, banana da terra, castanha de caju e alcaparras.

A receita faz sucesso entre colecionadores da Boa Lembrança e não colecionadores porque sintetiza algumas informações do repertório de Zé. Custa R$ 149,98. Aqui, uma curiosidade: todos os preços terminam em 8 porque ele acredita que o número, por ser exato, pode ajudar o visitante a escolher.

Seguindo a linha de que os pratos homenageiam amigos, familiares e artistas que já estiveram na casa, o baião de 8 da Morena Leite é uma opção incrível para compartilhar. Custa R$ 179,98 e serve bem três pessoas. Servida em panela de pedra sabão (deixando a comida aquecida por mais tempo), a receita combina arroz com requeijão, castanha, coalho e leite de coco com oito frutos do mar - mexilhão, dois tipos de camarão, lagosta, lula, polvo e dois tipos de peixe. É um dos campeões de venda, dividindo o pódio com a sinfoinia marítima de Caio Sultanum (R$ 149,98).

Endereço: rua Nice Cordeiro, 01, Floresta Velha. Diariamente das 11h30 à meia-noite. Informações e reservas: (81) 3619.1258

Xica da Silva
Um dos restaurantes mais tradicionais da ilha já existe há 12 anos - a cada ida a Noronha, o restaurante se mostra melhor, tanto na infra quanto no serviço - e oferece uma cozinha consistente e deliciosa. À frente do cardápio está o chef Thiago Silva, que explora os peixes da ilha ou capturados no litoral potiguar, e encara, junto com a equipe, um salão constantemente lotado tanto no almoço quanto no horário do jantar.

Da seleção de entradas, servidas em porções para compartilhar, não pestaneje: peça a vinagrete morna de frutos do mar. A receita é fresca, mas aquecida, quebrando o roteiro óbvio de servir frutos do mar de forma crua ou fria. Em prato de risoto vem camarão, peixe, mexilhão, polvo e lua, mais tomate e cebola, com torradinhas, e cai bem demais com uma taça de vinho branco ou caipirosca. Custa honestos R$ 55.

Os mexilhões gratinados com manteiga de ervas não ficam atrás. Afinal, clássico é clássico. A R$ 52.

Para quem faz a linha low carb, minha di­ca é ir direto no Benne tibii, principal elabo­rado com peixe e camarão grelhados, mo­lho de ervas com toque de óleo de gergelim, purê de couve-flor e trouxinhas de shitake e lula (R$ 95, individual). Levinho, levinho.

Mas campeão de vendas mesmo leva o bom e velho carboidrato e atende pela alcunha de Mestiço, com filé de peixe e um purê gratinado de jerimum com camarão que não é brincadeira. Opções com a pegada litorânea mais tradicional também compõem o menu, como a moqueca de peixe, com pirão e arroz de castanha (R$ 159 para dois).

Endereço: Alameda das Acácias, 11, Floresta Nova. Diariamente das 12h à meia-noite. Informações: (81) 3619.0437

Restaurante do Valdênio
Um dos melhores custo-benefício da ilha é o Restaurante do Valdênio, que fica na Vila do Trinta a caminho do Porto de Santo Antônio. Valdênio Nascimento é natural de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, e chegou a Fernando de Noronha há quase 20 anos para trabalhar como pedreiro.

O tempo em Noronha fez Valdênio mudar de ramo intuitivamente, que começou a vender quentinha. A informalidade da entrega de comida caseira foi substituída pelo empreendedorismo em família, que abriu como extensão da própria casa o restaurante que leva seu nome - hoje, um dos mais conhecidos por oferecer comida sem frescura, mas com qualidade e, principalmente, preço atrativo para o padrão noronhense.

Há 10 anos quem assumiu a cozinha foi um de seus filhos, a chef Tallyne Sandrelly - uma simpatia de gente -, que ficou no continente o tempo suficiente para se formar em Gastronomia em uma faculdade recifense. Tallyne mantém a essência da culinária adotada pelo pai e lidera a cozinha que abastece um salão com 73 lugares sempre lotado de turistas e frequentado por artistas habitués da ilha.

No tradicional estilo PF, o cardápio tem uma sugestão por dia da semana a R$ 35 (individual) e alguns pratos que saem sob encomenda prévia, como peixe na folha de bananeira e moqueca de peixe a R$ 140 cada, para dois. O baião de dois acompanhado por uma proteína é destaque da chef, sai diariamente e também custa R$ 35 por pessoa. Itens fixos ainda pelo mesmo valor: bife acebo­lado, filé de frango e peixe frito.

Por dia, os pratos feitos são: segunda - filé à parmegiana e peixe ao molho de coco; terça - estrogonofe de frango e bife ao molho; quarta - galinha ao molho e à cabidela; quinta - galinha no forno e bife ao molho; sexta - rabada e isca de frango à milanesa; sábado - feijoada, cabidela e galinha ao molho.

Os peixes frescos variam com a oferta do mar: cavala, barracuda, atum e anchova. A sobremesa número 1 são as Paletas da Ilha, linha de picolés e sorvete de Túlio, irmão de Tallyne, que fabrica artesanalmente os gelados (R$ 8 cada) em vários sabores: morango trufado, Ovomaltine, tapioca, doce de leite, Prestígio, etc.

Endereço: rua Pinto Branco, 230a, Vila do Trinta. De segunda a sábado, 11h às 15h e 19h às 22h. Informações: (81) 3619.1872

Onde assistir ao pôr do sol?
Mergulhão Restaurante
Não importa qual será o seu roteiro em Noronha, é obrigatório incluir um pôr do sol na sua estada. Um dos picos mais bacanas para contemplar a troca do dia pela noite é o Mergulhão, um bar-restaurante que fica na parte alta da Praia do Porto. O cardápio é variado, focado em pescados e ingredientes brasileiros, e o cair da tarde dá match com umas boas taças de vinho. Endereço: Porto de Santo Antônio. Funcionamento: segunda a sábado, das 12h às 22h. Informações: (81) 99601.0203 e 99207.0438

*Na próxima semana, acompanhe mais dicas gastronômicas em Fernando de Noronha

*A jornalista viajou a Fernando de Noronha com apoio da Administração da ilha e da Pousada Zé Maria

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