Obesidade só aumenta

Pesquisa afirma que o excesso de peso cresceu no Brasil entre os anos de 2006 e 2018

Doença atingiu número recordeDoença atingiu número recorde - Foto: Da editoria de Arte

Embora os brasileiros estejam mais conscientes sobre a importância da boa alimentação, a quantidade de obesos no País reforça a ideia de que, na prática, ainda há muito o que mudar.

Essa é a conclusão da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada, recentemente, pelo Ministério da Saúde, que apontou o salto de 11,8% para 19,8% de pessoas obesas, entre 2006 e 2018.

A amostragem abrange as 26 capitais do País, mais o Distrito Federal. Na divulgação dos números, o secretário de Vigilância e Saúde, Wanderson Oliveira, disse que, apesar de ter ocorrido uma melhora no cardápio, o brasileiro ainda compra muitos itens calóricos e sem grande valor nutricional.

Isso inclui excesso de consumo dos alimentos industrializados e pouco investimento em atividade física frequente. Ainda segundo o estudo, a faixa etária em que o problema mais incidiu no período foi entre pessoas de 25 a 34 anos, cuja obesidade aumentou 84,2%, e entre 35 e 44, com acréscimo de 67,8%.

A raiz do problema
Segundo a professora e nutricionista Roberta Morgana, não se pode culpar unicamente o estilo de vida de uma pessoa, sem entender que a obesidade é uma doença multifatorial. “Existem pacientes obesos que se alimentam bem e fazem exercício, mas são obesos.

Podemos dizer que existe uma associação de comportamentos alimentares e estilo de vida, que possuem um relação com o aumento de peso, e a depender do tempo exposto a essas fatores, podendo chegar a graus de obesidade importantes”, esclarece.

Ela lembra que qualidade de sono, estresse, contaminação ambiental, comportamentos alimentares e estados emocionais estão entre os influenciadores, sem falar nos pontos genéticos e metabólicos de cada um.

Mas, vivendo com o problema, algumas mudanças são urgentes. “Reconhecer que obesidade é doença e como tal precisa ser vista e cuidada. Além disso, querer se ajudar e estar aberto a ajuda, pois sempre há possibilidades terapêuticas”, reforça a especialista.

Com o apoio de profissionais de saúde fica mais fácil inserir novas rotinas, como as que a nutricionista Helen Lima sugere. “Existe uma busca de retorno às origens em que, na nutrição, a gente diz ‘descascar mais e desembalar menos’. Pensar na redução do açúcar simples e das preparações com sódio e gordura de má qualidade”, resume.

Fracionar as refeições ao longo do dia também ajuda a não errar na mão na hora de montar um prato estando com fome. “Além de substituir sucos da refeição por uma fruta e incluir alimentos que ajudem a controlar a saciedade, como aveia, oleaginosas e vegetais com casca”, aponta a profissional.

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Tudo isso, ainda segundo a nutricionista, não significa se desprender dos sabores da comida regional. “O cuscuz, por exemplo, pode receber aveia em flocos e aumentar seu teor de fibras e proteína”, ensina, ao falar como o prato pode ter aporte nutricional mais positivo.

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