Open bar: comer sem limites sempre mexeu com o imaginário popular

Sobre excessos de comida, você descobre hoje porque o chamado open bar engaja pessoas

PastelPastel - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O que você faria se tivesse apenas 15 minutos para comer à vontade dentro de uma doceria? A sensação de liberdade, mesmo em um período tão curto, é só um dos motivos que mobiliza o público para os eventos chamados de open bar. O termo gringo, que literalmente significa bar aberto, não é nenhuma novidade por aqui, mas de uns tempos pra cá ganhou tradução voltada para experiências de consumo ligadas à fartura de comida.

Para se ter uma ideia de tamanho engajamento, a resposta para a per­gunta acima pode ser as 25 coxi­nhas de 24g/unidade que um úni­co cliente da rede Delikata conseguiu provar nos últimos minutos de ação na loja, que permitia comer o quanto quisesse do salgado durante uma hora. O primeiro open bar de coxinha e coxurros no mês passado foi para os sócios Clayton Rodrigues e Adriano Menezes a maior certeza de que comida atrai clientela. A prova está nos números do evento que, em vendas iniciadas pela internet, esgotou 540 ingressos por R$ 5 cada, em apenas três horas, totalizando a saída de 13,5 mil coxinhas e 6 mil coxurros nos três dias de evento.

“Íamos fritando e repondo imediatamente. Até dava para notar o silêncio do salão na hora de comer”, lembra Clayton satisfeito com o resultado. Tanto que uma segunda edição nos mesmos moldes já está marcada para os dias 19, 20, 21 e 24 deste mês, com a novidade de copo personalizado, água e refrigerante, por R$ 12 a pulseira de uma hora.

Números surpreendentes também para Lilia Carvalho, gestora do Madá Food Park, na Madalena, depois de realizar o open bar de batata frita. Foi a primeira vez que o termo se associou à comida por aqui, gerando alvoroço nas redes sociais. “Fizemos um estudo e vimos que esse termo, em outras cidades, não se relaciona apenas à bebida. Ele dá, na verdade, a impressão de que você pode comer e beber de graça, mesmo pagando um ingresso”, explica. A ação aconteceu em julho e, num único dia durante sete horas, atraiu 1200 pessoas no espaço onde, em dias de bom movimento, recebe cerca de 300. Foram 250kg de batata que poderia ser incrementada com as ofertas de cada operação. “Mesmo sem vender ingressos, não esperávamos tudo isso”, solta.

Já a empresária Bernadete Marques, da Sabor de Beijo, precisou lançar uma programação maior para o mês de setembro, após anunciar a venda da primeira edição do seu open bar de tortas. “Às 6h30 da manhã já tinha gente na fila para comprar o cupom na loja que só abria às 10h. Em meia-hora vendemos os 30 disponíveis e continuamos a receber ligações e pedidos de mais acesso”, diz. Nas próximas datas, marcadas para 9, 16, 17 e 23, serão colocados 160 ingressos, por R$ 15,90, com o mesmo mote: comer fatias de doce à vontade, entre dez tipos de torta e bolo de rolo tradicional.

Ser ogro por um dia
Em tempos de dieta restritiva, comer além da conta ganha razões que só são vistas nas entrelinhas. Passa por compensação, rebeldia e, por que não, desafio dos próprios limites. É fazer aquilo que todo mundo gostaria, sem a crítica de um dedo apontado. Contexto que fez o projeto Segunda Ogra, realizado no Truck House Madalena, ganhar versão ampliada de olho na quebra de padrões. Serão comidas em tamanho família à venda em 30 casas e trucks do Recife, Olinda e Jaboatão, entre os dias 1 e 12 de novembro.

A organização é do Na Rua Tem, que promete divulgar em breve todos os endereços participantes. “Tem a ver com o sonho de infância de comer exagerado, do jeito que quiser, e que hoje significa extravasar”, resume o idealizador, André Vita. Na linha do que é considerada comida ogra, o evento das segundas-feiras já comercializou, por exemplo, a singela porção de um quilo de batata frita coberta por calabresa, cheddar e queijo maçaricado, isso sem falar em caldinhos em copos de 500ml e chope artesanal de um litro.

Em termos de tamanho, o empresário André Vasconcelos, do restaurante Skina Grill, na Encruzilhada, faz do seu pastel gigante a atração de todos os dias, desde 2003. É preciso jeito para conseguir segurar as pontas do salgado que pode pesar entre 800g a 1kg, a depender do recheio. O mais caro sai por R$ 21 levando camarão, queijo e verduras. “Chama atenção por ser um lanche barato e que muitos não dão conta sozinhos. Dividem com alguém”, diz.

Segundo a nutricionista Joyce Moraes, a capacidade de ingestão dos alimentos varia por pessoa e está relaciona com o tempo de liberação dos hormônios. Quando alguém começa a comer, a dilatação do estômago estimula terminações nervosas que culminarão na liberação da colecistoquinina (CCK). “Lembrando que esse hormônio que diz ‘ei, pare de comer’, só é liberado, em média, entre 15 e 20 minutos depois de iniciada a ingestão. Por isso, quem come rápido não dá tempo dele ser liberado”, destaca. Aliado a isso, alimentos ricos em gordura, por exemplo, causam o prazer que poucos querem abrir mão de sentir um dia que seja.

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