Piquenique: ou a mesa em cima da grama

O sol se mostra em sua plenitude e os parques ficam mais disputados por grupos que relaxam petiscando sentados em suas toalhas

In The DarkIn The Dark - Foto: Divulgação

A origem é francesa, o hábito inglês, mas o sotaque anda bem abrasileirado. Ou melhor, pernambucano! Pelo menos essa é a impressão que se tem ao observar os parques do Recife e Região Metropolitana ocupados por pessoas em torno de uma boa comilança ao ar livre junto a amigos e parentes. O chamado piquenique, assim mesmo “aportuguesado” do francês pique-nique, adianta o quanto a partilha de alguns alimentos pode render momentos divertidos e afetuosos em contato próximo da natureza.

Por isso, nossa sugestão ao longo desta matéria é que você, leitor, vá logo separando aquela boa e velha toalha xadrez com a inseparável cestinha de palha e, assim, desbravar alguns endereços ainda verdes na Cidade em um belo dia de sol - mais frequentes nesses meses. Mas antes de escolher um parque e sair carregando uma série de objetos e comidas, é bom ficar atento às dicas de quem observa com entusiasmo esse movimento local. Uma delas é a empresária Elizabete Cardeal, da Orgânico 22. Por um bom tempo, aos sábados, ela montava uma pequena estrutura de venda ao redor da Praça de Casa Forte para acompanhar o público que se esparramava na grama com algo de comer e beber. Ela saiu daquele entorno porque montou uma loja fixa, mas sabe que esse tipo de cliente sempre procura algo prático para transportar sem medo.

“O cenário de piquenique tem tudo a ver com alimentação leve e saudável. Nós lidamos com esse universo em sugestões como sucos naturais em garrafinhas retornáveis, sanduíches embalados em papel manteiga e outras produções em sacolinhas de papel craft”, detalha. Para ela, o fácil manuseio é ponto fundamental na montagem do cardápio, que deve ser definida a partir da quantidade de pessoas e faixa etária. Nesse contexto, frutas da época são uma mão na roda na hora de agradar adultos e crianças, com cuidado para não deixá-las em contato direto com a toalha. Aliás, isso vale para toda comida, pois a natureza não se faz de rogada e as formigas logo surgem para atacar principalmente os doces.

Cenário
Para saber como deixar a produção ainda mais atrativa, a reportagem convidou duas empresas já bem experientes no ramo para montar um cenário repleto de ideias no recém-aberto Jardim do Baobá, nas Graças. Andreia Cabral, da Doce Amora, dedica-se ao serviço de bufê há quatro anos e já entende o perfil da demanda. “Noto o quanto as pessoas reduziram a vontade de levar frituras, aumentando o consumo de salada de fruta e lanches de tamanho reduzido”, diz ela ao se referir do minihambúrguer ao molho de queijo e do sanduíche recheado com queijo gorgonzola pintado com corante alimentício.

Praticidade
“É bom levar em conta o tempo que se tem para preparar, montar e servir, de olho na falta de recurso para esquentar algo”, alerta a empresária. A dica é apostar na composição mais fria e do mesmo dia, como pastas de queijo, embutidos, salada e geleias. Uma boa ideia de bolo é o de laranja, por ser de preparo fácil e não exigir calda por cima. “Os cupcakes de cenoura também podem entrar por seu tamanho individual”, completa Andreia. Nessa produção especial para cinco pessoas, com cinco itens cada, a encomenda na Doce Amora fica por R$ 20/ por cabeça.

Cor
Para completar a cena, as sócias Mirella e Juliana Raposo, da 4 Cakes, levaram os acessórios que costumam alugar aos vários formatos de festa. “A gente acredita nessa criação mais autoral e de carinho entre as pessoas, por isso fornecemos os utensílios para a montagem própria”, comenta Mirella. Assim, entraram na história almofadas coloridas, esteira, bases rústicas e caixotes que fogem da cena comum. Até mesmo uma bike pintada de azul (R$ 200/diária) deu um charme a mais ao servir de suporte para as comidinhas. Já a cesta com capacidade para transportar até dez pratos, toalha e talheres completou a produção pela praticidade (R$ 20/diária). Aliás, o aluguel completo sai por R$ 500, incluindo frete de entrega. “Mas tudo vai depender da proposta, porque todo bom recifense gosta de incrementar os encontros e trazer um pouco mais de identidade ao contexto”, revela Juliana.

Onde fazer piquenique no Recife?

Parque da Jaqueira
Rua do Futuro, 959, Graças

Jardim do Baobá
Rua Me. Loiola, 2, Graças (por trás do Papacapim)

Sítio da Trindade
Estrada do Arraial, 3.259, Casa Amarela

Parque Dona Lindu
Avenida Boa Viagem, s/n, Boa Viagem

Parque 13 de maio
Avenida Visconde de Suassuna, s/n, Santo Amaro

Parque Santana
Rua Jorge Gomes de Sá, Santana

Jardim Botânico
BR 232, KM 7.5, s/n, Curado

Participaram da produção da matéria:
Doce Amora
(bufê para piqueniques) - 3228.6082

4 Cakes (acessórios e enxoval) - 99999.3383 e 99965.8093

Orgânico 22 (fornece acepipes veganos e ovolacto) - 99283.6085

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