Sabores que atravessam fronteiras: Instituto Adus lança livro que costura África, memória e afeto
"Sabores & Lembranças África" reúne receitas e narrativas de pessoas refugiadas africanas no Brasil
A comida como idioma universal, a memória como tempero essencial. É a partir dessa combinação que nasce “Sabores & Lembranças África”, livro lançado pelo Instituto Adus que transforma a gastronomia em território de encontro entre histórias de refúgio, heranças familiares e reconstrução de identidades.
A publicação foi apresentada ao público no último dia 28 de janeiro, no SESC Ipiranga, em São Paulo (SP).
“A vida é feita de temperos e recomeços”. A frase de Nandi Mondoukpê Biao, togolesa que vive no Brasil há sete anos, ecoa como fio condutor da obra.
No livro, sua trajetória se soma às de outros refugiados e refugiadas do continente africano que compartilham não apenas receitas tradicionais, mas também lembranças, afetos e caminhos de sobrevivência tecidos a partir da cozinha.
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Idealizado pelo Instituto Adus, o projeto conta com realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e patrocínio da John Deere.
Edições
Ao longo de suas edições, o projeto “Sabores & Lembranças” já explorou a comida como ferramenta de diálogo cultural em oficinas, encontros e publicações.
Agora, na terceira edição, o foco se volta integralmente aos saberes culinários africanos, valorizando a gastronomia como espaço de pertencimento e troca simbólica.
“A cozinha é uma poderosa ferramenta de aproximação entre pessoas e culturas. Ao colocar a comida no centro do projeto, criamos espaços de troca, reconhecimento e pertencimento entre a população refugiada e a sociedade brasileira”, afirma Luiz Henrique Amoêdo, gestor de comunicação do Instituto Adus.
A nova publicação reúne vozes de Angola, Camarões, Togo, Moçambique, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gâmbia, Nigéria, África do Sul e Tanzânia.
Entre trajetórias distintas, o livro também reflete sobre os laços profundos entre Brasil e África, revelados na música, na dança, na língua e na vida comunitária.
“O Brasil é o espelho da África. Aqui eu vejo o semba virando samba, o jongo virando capoeira, e o kimbundu atravessando o português”, diz o angolano Marseu Sebastião de Carvalho.
Já Nwakeago Ikakke Godfavour, da Nigéria, descreve o preparo dos alimentos como ritual coletivo e espiritual:
“Na Nigéria e no Brasil, a comida une as pessoas e ambos os povos dançam, cantam e se reúnem para celebrar. É por isso que me sinto em casa aqui também.”
Ao percorrer as páginas de “Sabores & Lembranças África”, o leitor encontra mais do que pratos típicos. Descobre códigos sociais baseados na partilha, na abundância e no cuidado com o outro – valores que atravessam fronteiras e se mantêm vivos nos gestos cotidianos, como cozinhar e dividir uma refeição.
Em uma tiragem de 2 mil exemplares, o livro será distribuído por ONGs de relacionamento do Instituto Adus e em escolas públicas de São Paulo, assim como nas unidades SESC e em bibliotecas paulistas.
*Com informações da assessoria

